segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Os Dois (parte 14)



Ainda no hotel, Alfredo e Isabela degustavam o jantar feito sob encomenda. Pela janela do restaurante, observavam o movimento acentuado na rua.

Era uma noite agradável, com temperatura acima dos vinte graus. Durante a refeição, os dois conversaram sobre as primeiras impressões do Rio.

Naquelas quatro horas de estádia, observaram poucas coisas, porém, Isabela, atenta, falou sobre a sujeira visual da cidade.

Ela falou que, no trajeto do táxi, havia notado muitas pichações, sobretudo, em prédios antigos, bonitos, que deveriam estar preservados, restaurados.

Mencionou que, na sua cidade natal, no Rio Grande do Sul, existia uma iniciativa municipal para preservar e resgatar, estruturalmente, os patrimônios da cidade, como as construções mais antigas.

Falou com conhecimento de causa. Disse que na capital carioca deveria ocorrer o mesmo. Escutando atentamente, Alfredo concordara.

Na seqüência, ele mencionou que um povo sem história, que não recorda o passado, é um povo inacabado.

Segundo ele, a história servia de base, de parâmetro, como referência , para não cometer os mesmos erros no futuro.

Quer dizer, eles concordavam no mesmo ponto: era preciso resgatar a história.

Além disso, Isabela notou que as comunidades tinham sido erguidas desordenadamente, em um grande dominó da indústria civil, sem diploma.

Por isso, exclamou:

- Li uma reportagem que o Rio de Janeiro tinha mais de quinhentas comunidades. E não nasceram quinhentas de uma hora para outra. Pior que a grande maioria não tem registro de casa própria, isto é, não são considerados cidadãos.


Enquanto comia, Alfredo concordava balançando positivamente a cabeça. Isabela continuara o discurso:

- O governo faz vistas grossas porque perdeu o controle. Foi derrotado pela incapacidade política de gerenciar uma cidade.


Em contrapartida, relembrando o passado, Alfredo falou:

- O Rio ainda sofre as conseqüências de uma sociedade aristocrata, da monarquia, que sugava todas as riquezas e distribuía para poucos. Mas, segunda, tu vais conhecer o Catete e a história do pai dos pobres.

Ele se referia ao palácio do Catete, onde Getúlio Vargas, na década de 1950, virou o “pai dos pobres” com suas leis trabalhistas e a proposta de um novo Brasil.

Por trabalharem na comunicação, os dois se interessavam por tudo. Desde as paisagens até os problemas sociais e urbanísticos.

Encaravam a viagem como passeio e aprendizagem. Assim, eram 1h20min quando terminaram de jantar. No local, poucos casais ainda permaneciam no restaurante.

Ainda sentados, Alfredo convidou Isabela para sair, pegar um táxi e conhecer algum lugar. Sugeriu a Lapa.

À noite estava bonita na rua, com céu estrelado e um vento refrescante. Mas ela, demonstrando preguiça, não dava sinais de vontade.

Então, sem pensar muitos, ele disse:

- Ou ficamos por aqui, dormimos cedo, e amanhã, de manhã, vamos dar uma volta em Copacabana.


Isabela abriu um sorriso e concordou. Desse jeito, saíram do restaurante e foram pegar uma brisa na calçada do hotel.

Observaram que o bar, localizado na frente, e a padaria, na esquina, estavam abertos.

E nos dois lugares o movimento permanecia acentuado.

Diferentemente de Porto Alegre onde, durante a noite, as ruas costumavam ficar vazias. A capital carioca tinha outro ritmo.

Afinal, tratava-se de uma cidade bem maior. No território, o Rio equivalia a duas Porto alegre. Mas com uma população quase seis vezes maior.

Antes de subir ao quarto, Alfredo avisou que iria na padaria para comprar água, e alguns doces.

Lá, notou algumas peculiaridades. O caixa ficava atrás das grades. Era um quadrado cercado onde, dentro dele, havia um senhor com uma máquina registradora.

Também havia alguns doces e balas.

Todavia, ele viu que o comércio oferecia muitas coisas, inclusive, bebidas alcoólicas no balcão ao lado. E a freguesia tava formada.

Era um bar-padaria. Achou inusitado. Com isso, após reconhecer o terreno, comprou três garrafas de água, alguns chocolates, e voltou para o hotel.

No saguão, reencontrou Isabela, que folhava um jornal, e subiram para o quarto. Era 1h40min.

Chegando aos aposentos, ligaram o ar-condicionado no máximo e comeram alguns doces.

Ficaram deitados na cama, conversando. No quarto, o ar gelado não diminuía o frescor ardente da paixão. O desejo sobressaia.

Com isso, de sobremesa, além dos chocolates, novamente deliciaram-se de amor e carícias. Passava das 3h00min da manhã quando, finalmente, adormeceram abraçados.


A manhã em Copacabana.



O amanhecer de domingo trazia um sol forte e muito calor. Os dois acordaram às 9h00min e foram tomar café no restaurante do hotel.

Pela janela, olharam o lindo dia lá fora. Durante a refeição, combinaram de ir conhecer Copacabana, pois, pela tarde, teriam o passeio de van.

O calor fazia-se presente e, antes de sair, Isabela decidiu voltar ao quarto para colocar um biquíni. Também queria pegar a máquina fotográfica.

Alfredo estava de bermudas, chinelo, e camiseta. Pronto para a praia. No entanto, fez uma recomendação para Isabela:

- Não traz celular, carteira, relógio. Quanto menos coisas para chamar a atenção, melhor, mais tranqüilos ficamos.



A visão do Rio irradiada pelos meios de comunicação plantara o horror, falava em arrastões, trombadinhas, assaltos. O cuidado era necessário.

Portanto, alimentados, pegaram um táxi para Copacabana. No caminho, passaram pelo Palácio do Catete e viram o grande movimento no aterro do Flamengo.

Significava um domingo típico carioca: de sol e praia.

No trajeto, Isabela, anestesiada com tanta beleza, observara tudo. Incrivelmente, o sol, no Rio, parecia brilhar mais forte, com mais vontade.

O sol trazia uma claridade diferente à cidade.

Um brilho que acentuava o contraste entre os prédios e os morros. A mescla do verde da natureza, o azul das águas, e o colorido dos prédios, da rua, das pessoas.

Uma cidade, de fato, maravilhosa.

Na conversa com o taxista, Alfredo mencionava sua surpresa com o pouco número de motoboys nas ruas.

O taxista comentou que existia bastante, sobretudo, na zona norte. Porém, com menor quantidade se comparado com São Paulo.

O motorista mencionou que as motos eram mais utilizadas nas favelas, pelo fácil acesso nas vielas das comunidades.

Mas disse que, circulando pela cidade, realmente não era grande o número. Falou que existiam mais vans, muitas ilegais, que faziam o percurso entre os bairros.

Antes de chegarem a Avenida Atlântica, em Copacabana, o taxista finalizou a corrida.

Avisou que não poderia ir mais além porque a Avenida ficava interrompida no domingo.

Assim, depois de acertar a conta, os dois saíram de mãos dadas caminhando pelas ruas da zona sul.

O movimento de pessoas em direção a praia mostrava a dimensão populacional da cidade. O grande número relembrava a Rua da Praia, em dia de semana.

Na caminhada, notaram uma praça pública totalmente cercada, coisa rara em Porto alegre.

Depois de alguns minutos, quando chegaram a Avenida Atlântica, diante de um visual alucinante, onde a beleza natural se confunde com a grandeza e imponência dos prédios, Isabela ficou quieta durante alguns segundos, só observando.

Alfredo já conhecia o bairro, de outra oportunidade, mas não escondia a satisfação de estar ali, com Isabela.

Estava eufórico em ver a felicidade dela. Aliás, essa era sua maior alegria, fazer ela feliz.

Na imensidão da areia, turistas e cariocas aproveitavam aquela manhã de sol.

Na avenida, onde os carros trafegam, uma imensidão de pessoas caminhava, andava de bicicleta, passeava com a família.

No canteiro central da avenida, os dois tiraram diversas fotos. Alfredo fotografara Isabela em vários ângulos, direções.

Caminharam felizes no calçadão, como dois cariocas típicos.

Mais adiante, sentaram em um banco quando vistavam, de um lado, o forte de Copacabana e, de outro, o Pão de açúcar.

Ali próximo, em uma barraquinha, pediram duas águas de coco. Enquanto isso, Isabela fotografava tudo.

Conversando, Alfredo justificava a alegria do povo carioca. Falou:


- Imagina viver aqui, olhando pra isso tudo, todo dia... A impressão que dá é que, aqui, não precisa de dinheiro para ser feliz..



Falou apontando para os inúmeros campos de futebol de areia, futvôlei, vôlei de praia. Todos lotados de gente.

Devido ao clima, e belezas naturais, observaram que o povo carioca cultua o corpo, a boa forma física.

Por isso, Alfredo sentia-se “estranho” de bermuda, pois, na praia, o traje mais usado era a sunga.

Degustando água de coco, e com os olhos brilhando de contentamento, Isabela admirava o visual. O calor era tão grande que os dois resolveram refrescar-se no mar.

Então, depois de um banho caprichado em águas cariocas, Alfredo sugeriu que fossem até a estátua do poeta Carlos Drummond de Andrade, localizada perto do Forte de Copacabana.

Ela concordou e, assim, pela areia, caminharam até lá.

Chegando na estátua, pediram auxilio para alguns pedestres que serviram de fotógrafos e tiraram fotos do casal abraçado ao poeta.

Foi uma manhã memorável.

Perto do meio-dia, resolveram retornar ao hotel para não perder a van que sairia depois do almoço. Na volta, atento as informações, pegaram o metrô.

Alfredo sabia que era tranqüilo o transporte e que, para chegar ao hotel, bastava descer na estação “Largo do Machado” ou do “Catete”.

Saindo do metrô, antes de chegar ao hotel, Isabela sugeriu comprar um lanche na padaria para o almoço. Afinal, já tinham se alimentado bem no café.

Alfredo concordou e eles foram até a padaria. Pediram croissant, pastéis, refrigerantes e alguns doces.

Compraram alguns jornais para saber o que acontecia na cidade e outros para levarem. Eles se interessavam na diagramação dos jornais.

Depois das compras, retornaram ao hotel para descansarem. O sol era forte. Já no quarto, foram tomar uma ducha.

Refrescados, com o ar-condicionado no máximo, esparramaram-se na cama.

Entre beijos e abraços, por ali ficaram. O assunto permanente era as boas impressões e contradições do Rio.



Corcovado, bondinho e Lapa.


Assim sendo, depois de um cochilo, perto das 14h00min, desceram ao hall do hotel para pegar a van. Junto com eles, três casais e duas crianças fariam o passeio.

Pelo linguajar, seria um passeio internacional. Com alguns “bonjour”, Isabela e Alfredo notaram que havia um casal francês.

Mas, como o mundo é pequeno, também ouviram um “tchê” sendo pronunciado.

Para a surpresa de ambos, o motorista da van, que faria o passeio, era um gaúcho de São Borja, radicado no Rio.

Na verdade, tratava-se de um pequeno empresário.

Após essa coincidência, embarcaram rumo ao Corcovado, local onde está a estátua de 38 metros do Cristo Redentor, no Parque Nacional da Tijuca.

Durante o deslocamento, Isabela e Alfredo olhavam a cidade pela janela da van. Em certa altura, Alfredo questionou:


- Não te falei que a zona sul carioca é a mais bonita do mundo..

Chegando ao Parque, pagaram as taxas e começaram a subir o morro pelas ruas estreitas erguidas no meio da mata. Isabela fez questão de pagar o seu ingresso.

Quando desembarcaram da van, os dois estavam diante do Cristo. Ele, de braços abertos, esperava os turistas. Isabela não conteve a emoção.

Deixou escapar algumas lágrimas por debaixo dos óculos. Do alto do morro, perplexos, admiravam a mais bela obra do criador.

Abraçados, em clima de romance, olhavam os morros caprichosamente espalhados.

Em meio a muitos turistas, na maioria estrangeiros, enxergaram prédios, a Lagoa Rodrigo de Freitas, o Pão de açúcar e a Pedra da Gávea, o maior bloco de Pedra, a beira-mar, do planeta.

Eles tiraram várias fotos, inclusive, a mais tradicional: com os braços abertos, diante do Cristo. Ficaram ali por cerca de quarenta e cinco minutos.

Perto das 17h00min, regressaram à van e dirigiram-se ao Pão de Açúcar. Nessa altura, os dois pareciam estar em lua de mel.

Havia uma grande troca de carinhos, gentilezas, e a sensação que ficava era que Alfredo e Isabela estavam recém casados.

Chegando a praia Vermelha, as imponentes pedras impressionavam. Alfredo e Isabela decidiram pegar o bondinho até o Pão de Açúcar.

Pagaram aproximadamente R$ 100 reais nos dois ingressos. E aproveitaram tirando muitas fotos.

Apreciando aquele cenário natural, através de binóclios espalhados nos mirantes, identificaram a ponte Rio-Niterói, o Maracanã, o Cristo, e todas as maravilhosas maravilhas da cidade carioca.

No morro da Urca, Alfredo notou que muitas pessoas subiam até lá por trilhas, no meio da mata, sem pagar o bondinho, e comentou o fato com Isabela.

Isabela disse que deveria ser um passeio espetacular, cheio de aventura, mas que requeria tempo para a caminhada.

Quem sabe, planejavam outra viagem para isso.

Assim, ficaram no ponto turístico até as 18h50min. Saindo de lá, já noite, pegaram a van e foram à Lapa.

No caminho, Alfredo pensou em convidar um casal de amigos. Eles moravam no bairro do Flamengo, perto do Catete, e sabiam os lugares mais divertidos na Lapa.

Isabela não se incomodou.

Assim, ele ligou e convidou. Marcaram em um restaurante na Avenida Mem de Sá.

Quando chegaram ao bairro, desceram e avistaram os Arcos. Os dois sabiam que a noite seria diferente. O clima era de festa, com muita gente na rua.

O ambiente transpirava gandaia, anarquia, folia. Na chegada, tiveram um exemplo disto.

No meio do vasto gramado verde, em frente aos Arcos, um senhor, sem camisa, dava um show.

Sozinho, cercado por diversas pessoas, muitos turistas, ele havia improvisado uma bateria com baldes e objetos de metal. Parecia uma bateria reciclável.

Diante do instrumento original, o senhor tocava como um virtuoso. Não tinha banda, era só ele.

Depois de cada solo batucado, anunciava onde ficava a caixa para contribuições. E Alfredo foi até lá para deixar dois reais.

Diante de tal panorama, caminhando pela Lapa, viram muitas casas antigas. Dentro delas, vinha sons de todo tipo. Era samba aqui, forró ali, chorinho acolá.

Então, acharam o restaurante marcado para encontrar o casal de amigos e sentaram.
Enquanto aguardavam, decidiram comer alguma coisa.

Já instalados, pediram o cardápio. Isabela sugeriu uma porção de fritas e Alfredo à cerveja.

O clima quente diminuía a fome e, ao mesmo tempo, o pedido relembrava o primeiro encontro, em Porto Alegre, na Cidade Baixa.

Portanto, quando os dois já comiam as batatas, o casal chegou. Chamavam-se Sérgio e Vanessa, dois gaúchos que tentavam a sorte na capital carioca.

O casal morava no Rio há cinco anos. Quando se viram, em meio aos cumprimentos, Sérgio exclamou:

- O que tu anda fazendo por aqui loco?


Brincando, Alfredo respondeu que estava em lua de mel não oficial. Isabela riu.

Em pouco tempo, Vanessa e Isabela ficaram amigas, acharam diversos pontos em comum.

No outro lado, Alfredo e Sérgio falavam sobre futebol, as glórias e fracassos do futebol gaúcho, as lembranças do passado, etc.

Emplacaram uma conversa e pediram mais uma porção de fritas.

Quer dizer, a atmosfera era familiar, porém, no território, estavam no berço da cultura brasileira.

Conversa vai, conversa vem, o tempo foi passando, a Lapa foi enchendo, e as garrafas de cerveja se multiplicavam na mesa.

Entretanto, não havia preocupações, pois ninguém estava dirigindo.

Logo, perto da meia-noite, Sérgio sugeriu que ambos conhecem o Circo Voador, uma das casas de shows mais tradicionais do País.

Diante de nenhuma objeção, decidiram conhecer o local que ficava quase embaixo dos Arcos da Lapa.

Dividiram a conta e saíram do restaurante. Conversando, e caminhando lentamente até o Circo Voador, Sérgio comentou que, no Rio, dificilmente via ruas desertas, sem movimento.

Isto é, a privacidade urbana era praticamente nula.

Quando chegaram ao Circo Voador, na entrada da casa de show tiveram essa contestação. O local estava cheio, tomado.

Alfredo perguntou quem seria a atração da noite e, de resposta, soube o motivo de tamanha agitação.

A madrinha do samba, Beth Carvalho, faria show ali. Sem pensar duas vezes, entraram na fila e compraram os ingressos.

Alfredo e Isabela não só conheceriam um lugar lendário na música como, de brinde, presenciariam um show de samba na terra samba.

Proporcionalmente, era a mesma coisa que um turista ver uma apresentação tradicionalista, em um CTG, no rio Grande do Sul.

Dessa maneira, após ingressaram nas dependências da casa, posicionaram-se no segundo piso da casa. Aguardaram cerca de trinta minutos a madrinha do samba.

Ao entrar no palco, ovacionada pelos presentes, Beth Carvalho começou o show com “andanças”.

Com uma energia única, de arrepiar, o público cantava todas as frases. Cerca de dois mil passistas e porta-estandartes.

Dançando, sambando, com os braços levantados, pareciam agradecer aos deuses. Alegria pura.

Isabela sambava à moda gaúcha e Alfredo, atrás dela, acompanhava o ritmo com a malemolência de um peão. Suas mãos estavam fixadas na cintura dela.

Do lado deles, o casal gaúcho, familiarizado, completamente adaptado, sambava como cariocas da gema.

No palco do Circo Voador, o show prosseguia com as melhores energias.

De tal modo, quando a madrinha do samba iniciou a música “teu jeito de sorrir” o público teve seu apogeu.

Cantarolavam a letra quando Beth Carvalho iniciou a música:


Não foi teu olhar/ Não foi teu andar/ Foi teu jeito de sorrir/ Que me cativou/ Que me fez sonhar/ Fez meu mundo se abrir/ Sofrido, carente/ Cansado demais/ O meu coração/ Encontrou a paz/ Se estou ao seu lado/ Esqueço o passado/ E mergulho nesse amor..

Sorrindo, expondo as covinhas sedutoras, Isabela olhou para Alfredo. Ele retribui com beijos e abraços demorados.

Sua alegria era ver as covinhas de felicidade dela. No seu ouvido, envolvida, Isabela cantava a música:

- O nosso amor é luz do luar, é sol de queimar, estrela que vem para abençoar, porque o nosso amor é pra vida inteira...

Ou seja, diante dos fatos, só uma catástrofe separaria os dois.

Continua..



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Contextualizando a cena acima, a madrinha do samba Beth Carvalho em "teu jeito de sorrir"..

Samba rockmente falando...

Começamos essa segunda com o mestre carioca Jorge Ben em “alquimistas”...



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Seguindo no Rio de Janeiro, Elza Soares homenageando o povo carioca..Uma som swingado, com o balacubaco brasileiro, em “Rio de Janeiro”..



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Seguindo na baía de Guanabara, outro mestre. Pixinguinha e Seu Conjunto em “1x0”.. O vídeo é da década de 50, e foi resgatado pela Globonews...




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Finalizando, na Lapa, a Orquestra Voadora em “top top” dos Mutantes. A orquestra é composta por 17 malucos, divididos entre sopros e percussão..

O vídeo foi gravado no Circo Voador, no inverno deste ano..




Um bom início de semana aos amigos e amigas.

Aos gremistas, uma semana especial, cheia de alegrias e conquistas..Quando precisarem de algo, é só avisar..

Saudações

domingo, 29 de novembro de 2009

Vamo Grêmio, Vamo Grêmio, Vamo ajudar o irmão...



Eis que o destino se manifestou da forma mais cruel... O colorado venceu e, na próxima rodada, dependemos do nosso arqui-rival.

Vai ser a oportunidade mais bonita de mostrar a nossa união.. Um irmão ajudando o outro...coisa linda, coisa rara..

Depois de 30 anos de espera, um empatezinho já basta..Um presente inesquecível para o centenário colorado, que ficaria marcado na história..

Um gesto de enorme generosidade..

Que os gremistas não se apequenem, se rebaixem, por uma coisa tão tola.. O que seria do Inter sem o Grêmio? O que seria do Grêmio sem o Inter?

Um empate do tricolor seria um gesto de enorme grandeza, típico de um time do nível do Grêmio: um time grande.

Perder, por gosto, seria uma atitude que mancharia a história desse clube mais que centenário..

Então, por ser mais velho, o tricolor poderia entrar para a história colorada como o responsável direto pelo título do brasileiro, após 30 anos de espera e sofrimento..

Um presente de gala do irmão mais velho, mais vivido, no ano do centenário..

Pela honra do futebol gaúcho, que o Grêmio não se entregue de graça, por mesquinharia. Afinal, como diz uma faixa no Olímpico:

- Sirvam nossas façanhas de modelo a toda terra..

Confio no nosso imortal.. A grandeza, na vida, está nos pequenos gestos..

E se o empate ocorrer, na segunda, o mundo veria uma cena nunca vista.O saguão do Aeroporto estaria tomado de colorados para agradecer o presentaço..

Vamo Tricolor


OBS: E que a imprensa gaúcha não plante a discordia, a pequenez.. Que construa a união e não ajude a desqualificar o esporte..

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Gentileza: passe adiante..



Ele nasceu na cidade de Cafelândia, interior paulista, e seu nome era José Datrino.

Tinha onze irmãos e, na adolescência, cresceu no contato com a terra e os animais.

Com treze anos de idade, trabalhava puxando uma carroça. Vendia a lenha que ele e seus irmãos haviam cortado.

O ano era 1930. José fazia parte de uma família humilde, trabalhadora. Conciliador, o menino sempre buscava palavras calmas para amenizar os ânimos.

Ainda na adolescência, anunciava aos pais que tinha uma missão em vida. Os pais pensavam que ele sofria de algum distúrbio mental.

Entretanto, o tempo foi passando e, em 1961, a previsão de José se realizou.

Naquele ano, uma semana antes do natal, na cidade de Niterói, Rio de Janeiro, um incêndio no circo “Gran Circus Norte-Americano” mataria mais de 500 pessoas, a maioria crianças, que assistiam ao espetáculo.

Considerada a maior tragédia circense do mundo, o episódio foi o sinal que José Dratino esperava.

Diante de um cenário de comoção, desespero, no dia 23 de dezembro, seis dias após o ocorrido, José decidiu abandonar tudo. Queria ajudar o próximo, sem olhar a quem.

Desse modo, dirigiu-se até o local. Tentando amenizar a dor das famílias, em meio às cinzas do incêndio, José rezava, pronunciava palavras de condolência, de amparo.

Foi além. Passou a viver no local, onde cultivou hortas, plantou árvores, sempre com objetivo de mudar a paisagem daquele lugar marcado pela tragédia.

Assim, gradativamente, largou o mundo material e passou a viver sua missão espiritual: espalhar o amor.

Nos anos 80, mudou-se para o Rio de Janeiro. Em azulejos, pintava frases com mensagem de amor, compaixão e, sobretudo, gentileza. Virou um andarilho urbano.

Ele tinha cabelos longos e barba grande, como o papai Noel, só que vestia uma roupa branca.

Também carregava um cajado.

Ficou conhecido como o profeta Gentileza e, durante anos, distribuiu flores para os pedestres no centro do Rio, região onde transitava.

Nos azulejos, expostos nos pilares de viadutos, José escrevia a palavra amor com 3 R.

Explicava que amor, com 3 R, significava o R do pai, do filho, e do espírito santo. Chamava de amor universal. Para ele, o amor, com 1 R, significava o amor material.

Na sua ideologia, o Natal não significava presentes. O natal significava o nascimento do menino Jesus.

E o melhor presente que nós poderíamos dar para o menino Jesus seria um mundo com mais AMORRR, com três erres, compaixão e solidariedade.

O profeta Gentileza morreu, em 1996, aos 79 anos. É um exemplo do povo brasileiro.

Até hoje é um símbolo do Rio de Janeiro e, na Novela Caminho das Índias, foi interpretado pelo ator gaúcho Paulo José.

Então, nesse Natal, se a grana tiver curta, ou coisa do tipo, faça como o profeta e dê carinho, atenção, amor, gentileza.

Isso não custa nada e, com certeza, vale muito mais do que qualquer presente.


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Abaixo, a carioca Marisa Monte homenageando o profeta em “gentileza”, onde você poderá observar um pouco do que fez José Datrino..

Vem chegando o verão....e o final do Brasileirão


Foto encontrada nesse site.

Sexta, dia 27 de novembro. Está findando o ano. Mais uma vez. E o calor se apresenta sob todas as formas.

Nas grandes cidades, como Porto Alegre, o mormaço contamina, mesmo faltando alguns dias para a chegada do verão.

O asfalto, grande símbolo de progresso, nessa época, é traiçoeiro. Ele concentra todo calor da face da terra, deixando na atmosfera a sensação de extremo abafamento.

Muitos chamam Porto Alegre, nesse período, de sauna Alegre, bafo na nuca, lor, sala de estar do capeta, incinerador humano, sertão gaúcho, frigideira, lareira em céu aberto, etc..

A denominação varia, de acordo com o humor, ou falta de ânimo, gerado pelo calor escaldante.

Por outro lado, o fim de ano encerra o ciclo de inúmeras atividades. Aulas terminam, cursos são interrompidos, e as férias se projetam faceiramente.

Com a chegada do natal, ano novo, e todo pacote, também temos o final da competição que é a paixão nacional do brasileiro: o futebol.

Assim, diante do happy hour do verão, o brasileirão chega na reta final. Pra mim, acredito que o campeonato irá se decidir nesse domingo, uma rodada antes do término da disputa.

E será emocionante, sem sombra de dúvidas.

São Paulo, Flamengo, Inter e Palmeiras no páreo, cada um calculando à sua maneira. Como colorado, obviamente, nem preciso falar minha torcida.

Contudo, ressalto a importância dos maestros colorados no Mundial de 2006: Iarley e Fernandão.

Dois dos maiores ídolos da história do clube, no domingo, poderão tornar viável um sonho que dura, exatos, 30 anos. Serão imortais colorados.

Já em São Paulo, o fenômeno vai encarar o imperador. Será o duelo dos atacantes.

Afinal, acredito que só um dos dois irá à Copa na África.

Desse modo, Ronaldo, popularmente conhecido como “o cara”, aliado com o poder de motivação do colorado Mano Menezes, poderá encher de alegria essa massa colorada, o clube do povo, como o Corinthians.

Ronaldo tem a chance de dar o troco às provocações e atitudes da torcida do Flamengo que, após sua transferência ao timão, queimaram sua imagem, rasgaram as camisetas com seu nome e, ainda por cima, o ridicularizaram com a história do travesti.

Seria o troco do fenômeno que, de lambuja, agradaria o técnico Dunga, treinador da seleção e colorado de carteirinha.

Com essa conspiração mirabolante, e o colorado ganhando do Sport, em Recife, o Beira-rio iria ficar minúsculo no outro domingo, contra o Santo André.

Ou seja, pra mim, é no próximo domingo a decisão do campeonato. E tem gente que acha que o sistema de pontos corridos não tem emoção e não é justo.

Ledo engano. Queriam fazer do brasileirão uma Copa do Brasil menor, na reta final? De “mata-a-mata” já basta a Libertadores, Sul-Americana, Gauchão, Copa do Mundo e Copa do Brasil.

Aliás, o rebaixado Santo André, e o último colocado, Sport, venceram a Copa do Brasil nessa década.

Isto é, na minha opinião, pontos corridos é justiça pura, com privilegio e condecorações para o planejamento dos clubes. O resultado final é a conseqüência de um trabalho anterior, de estrutura, qualificação, ousadia.

De pára-quedas, já tivemos muitos campeões.

Então, Salve Fernandão, Iarley, Goiania, Campinas, timão, Ronaldo, Zina e, sobretudo, esquadrão colorado..

O que é do Inter está guardado..Esse ano ou ano que vem.. E a torcida estará sempre presente..

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Contextualizando, e retornando ao blog, os nossos irmão argentinos, compatriotas de D´Alessandro, o maestro, e Guiñazu, o onipresente.. Los Rodriguez em “hace calor”..

Rockmente Falando..

Começamos a sexta-feira com um clássico. Os norte-americanos do Talking Heads em “psycho killer” .. Um som alucinantemente alucinado, gravado em 1978..

Mega-ultra-super-big clássico



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Na seqüência, no mesmo patamar, e categoria, o inglês David Bowie em “starman”. A música teve uma versão brasileira, chamada “O astronauta de mármore”, e musicalmente tocada pelos gaúchos do Nenhum de Nós..

Aqui você pode ver e escutar essa versão..

Aliás, a banda gaúcha fará shows nos dias 11,12 e 13, (acho, confirme para ter certeza) no Teatro São Pedro, tocando os clássicos do Beatles, à sua maneira..

Abaixo, David Bowie..O baixista possui a barba mais doidera que vi na vida..



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Finalizando a semana, no rol dos gênios, Bob Marley em “Running amay e Crazy Baldhead”, na Califórnia, em 1979..



Um fim de semana só no sapatinho....E refrescante nas idéias, pois, no tempo...

Bom descanso e até segunda

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Os Dois (parte 13)


No restaurante chinês, entre uma garfada e outra no frango xadrez, Alfredo e Isabela conversavam sobre a viagem. Alegre, Isabela comentara que seria sua primeira viagem de avião.

Do outro lado, Alfredo estava satisfeito. Em pouco mais de quinze dias ele tinha se aproximado de Isabela, tinha ficado com ela e, além disso, proporcionaria sua primeira viagem de avião.

Ou seja, aquelas horas que antecederam o vôo foram de extrema alegria, euforia e ansiedade.

Alfredo falava do hotel, localizado na Rua do catete, uma das vielas do bairro. Ele dizia que o hotel estava próximo do palácio do Catete, casa do presidente até a construção de Brasília.

Sobre a hospedagem, não mencionou que havia reservado um quarto de casal. Se bem que, devido ao clima, era uma boa iniciativa. Os dois já tinham certa vontade.

Com isso, depois de jantarem, Alfredo deixou Isabela em casa. Marcaram de se encontrar depois do almoço, mesmo que o vôo estivesse programado para o fim da tarde.

Já em casa, Alfredo ligou para seus pais, no interior. Contara os planos e expectativas para o passeio.

Seus pais, mesmo distantes, deram força e desejaram boa viagem. Eles sentiam a alegria do filho pela voz e, naturalmente, queriam o melhor para ele.


O dia da viagem..

No sábado, às 14h00min, pelo telefone, Alfredo falava para Isabela do seu nervosismo e ansiedade. Pela janela do seu apartamento ele observara o céu limpo, azul piscina, sem nuvens.

Estava tudo indo nos conformes.

No outro lado da linha, Isabela relatava sua indecisão final sobre o que levar. Estava na dúvida entre as calças e os vestidos.

Com noções básicas de clima, Alfredo avisou que o Rio de Janeiro era uma cidade quente e que, dificilmente, ela teria vontade de usar calças.

Desse modo, após alguns minutos de conversa no telefone, combinaram de ir para o Aeroporto às 17h00min.


O embarque e a chegada..

No horário acertado, Alfredo pegou um táxi e foi em direção a casa de Isabela.

Lá chegando, tomou um susto. Isabela esperava na frente do prédio e, ao seu lado, enfileiradas, uma bagagem digna de quem iria ficar um ano fora do Brasil.


Depois do choque, brincando, Alfredo questionou:


- Tu tá pretendendo ficar por lá?



Isabela sorriu. Seus olhos brilhavam de felicidade. Disse que era uma mala para as roupas e outra para os calçados. Entre malas e “necessaire”, a máquina fotográfica para registrar todos os momentos.

Assim, os dois embarcaram no carro e dirigiram-se ao Aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre. No caminho, Isabela falante, extremamente falante, extravasava toda sua ansiedade.

Chegando ao destino, Alfredo pagou o táxi e ambos foram fazer o chek-in. No saguão do Aeroporto, o clima era de romance e apreensão.

Romance para Alfredo e apreensão para Isabela, na sua primeira viagem aérea.

O vôo estava marcado para as 19h15min. Depois de alguns cafés, biscoitos, e idas ao banheiro, chegara o momento do embarque.

Andando de mãos dadas, formalizando a união, os dois partiram para a fila.

Após os tramites necessários, e mais alguns minutos de espera, na sala de embarque, finalmente, Alfredo e Isabela entraram no avião.

Acomodaram-se nas poltronas e, atentamente, ouviram as instruções de emergências.

Brincando, ele fingia anotar tudo em um papel. E ela, antes do avião decolar, agarrou-se na mão dele.

Mostrando calma, tranqüilidade, ele dizia que era só um friozinho na barriga. Portanto, sem mais atrasos, os dois decolaram rumo ao Rio de Janeiro.

Durante o vôo, enquanto as aeromoças transitavam pelos corredores, distribuindo bebidas e os mini-bolinhos industrializados, os dois conversavam baixinho, grudados, e trocavam carícias.

Os dois não viram o tempo passar, como sempre ocorria quando estavam juntos e, após pouco mais de duas horas, desembarcaram no Aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro.

Na chegada, a primeira diferença que notaram foi no clima. Estava quente.

Depois de pegarem as malas, caminharam até o ponto de táxi. Alfredo, precavido, conversou com alguns taxistas para pesquisar o preço da corrida e as condições para ir até o Catete.

Descobriu que um ônibus fazia essa linha, até o centro, porém, preferiu deslocar-se com o táxi.

Com isso, diante de uma gigantesca frota amarela, os dois escolheram o senhor que dirigia um Santana. Então, às 21h35min, em terras cariocas, seguiram para o bairro do Catete.

No trajeto, Alfredo foi conversando com o taxista, mostrando cordialidade e pedindo, nas entrelinhas, que ele não o enganasse.

No banco de trás, Isabela observava o pouco que se podia ver. Ainda mais durante a noite.

Na linha vermelha, quando o táxi passava por alguma comunidade-favela, onde se via as casas empilhadas, em uma construção complexa, ela cutucava Alfredo.

O visual chamava atenção.

Tratava-se de uma novidade. Uma paisagem, por enquanto, inexistente na capital gaúcha.

Quando passaram pela Rodoviária do Rio, puderam ver os ladrilhos com mensagens de amor, generosidade e compaixão, pintados pelo profeta Gentileza.

Alfredo apontara para os azulejos, expostos nos pilares do viaduto, mostrando para Isabela. O taxista, nessa altura, íntimo do casal, filosofava sobre a importância do andarilho.

Com um jeito manso de falar, e sotaque carregado, puxando os erres de várias gerações, o taxista argumentava que os cariocas deveriam se espelhar mais em Gentileza.

Queixou-se que os cariocas brigam entre eles, se matam por nada.

Com sua missão de paz, o profeta tinha virado um símbolo no Rio, de um povo. Uma pessoa que abdicou da sua vida para fazer o bem aos outros.

Contudo, perto do destino final, diante de tantas histórias, desordem urbana, e belezas naturais, os dois percebiam que aquela viagem seria inesquecível.

Quando chegaram ao hotel, Alfredo acertou a conta com o taxista e pediu seu telefone, caso precisasse de outra corrida.

Quer dizer, tinha feito uma boa escolha no Aeroporto e, de lambuja, ganhara um parceiro para assuntos de trânsito no Rio de Janeiro.


O hotel e o primeiro dia no Rio de Janeiro.


Localizado no coração do Rio, o hotel não tinha muito luxo. Porém, era limpo, bem decorado e, conseqüentemente, oferecia um clima agradável.

No local, havia um restaurante próprio, onde era oferecido o café da manhã e outras refeições, além de piscina e internet banda larga em todo hotel.

Depois de conhecerem a estrutura, as dependências, os novos hóspedes decidiram ir para o apartamento.

Antes de subir, Alfredo se informou dos passeios turísticos.

Ficou sabendo que o hotel oferecia um passeio, feito por uma van, que visitava o Cristo Redentor, o morro da Urca/Pão de Açúcar e a Lapa.

Quando soube que teria o passeio no domingo, à tarde, ele reservou dois lugares na van.

Com isso, pegaram o elevador e foram em direção ao quarto, no quinto andar.

Chegando ao quarto, nenhum dos dois mencionou o fato da cama ser de casal. Alfredo fingiu que não era com ele e, Isabela, ignorou o fato.

Alfredo colocou as malas no canto do quarto, perto da janela, e atirou-se na cama. Parecia estar cansado. Isabela, por sua vez, foi até a janela observar a paisagem.

Olhando pela janela, ressaltou a quantidade de pessoas transitando na rua. Afinal, era tarde da noite, mais de 22h00min.

O movimento era grande, pois, na frente do hotel, havia uma padaria e um bar, dando a impressão que não era sábado.

Na cama, esparramado, Alfredo comentou que o comércio, na capital carioca, fechava mais tarde. E disse também que, na continuação da rua, onde estava o hotel, havia uma favela.

Enquanto Alfredo ligava a televisão, Isabela saiu da janela e avisou que iria tomar um banho para, depois, decidirem o que iriam comer.

Ele sugeriu o restaurante do hotel, ou que poderiam comprar algum lanche na padaria.

Ela questionou até que horas ficava aberto o restaurante e, Alfredo, se comprometeu em descobrir.

Assim, Isabela vasculhou a mala, pegou aquilo que lhe interessava e foi tomar uma ducha. Ele seguiu na cama, deitado.

Quando ela entrou no banheiro, ele pegou o telefone e ligou para a portaria. Informou-se que o restaurante funcionava até 1h00min da manhã.

Entretanto, o jantar ficaria para mais tarde..

Depois de um banho caprichado, demorado, Alfredo teve uma surpresa agradável. Uma visão do paraíso.

Isabela saiu do banheiro e apagou as luzes. Com um ar provocante, ela apareceu excitante, vestindo lingerie vermelha, transbordando sensualidade.

Vagarosamente, Isabela se dirigiu até a cama. Alfredo, hipnotizado, completamente apaixonado, salivava de prazer, imóvel.

Diante de um momento íntimo, de entrega, durante uma hora os dois gozaram a vida intensamente. Nesse tempo, carnalmente, trocaram os melhores fluidos e sensações.

Foi à concretização da união, do amor, o abraço das almas em torno dos corpos.

Após o deleite lascivo, quando o relógio apontava meia-noite, de banho tomado, e com muita fome, os dois desceram ao Hall do hotel, onde se localizava o restaurante.

Para o garçom, pediram um prato de bobó de camarão e, enquanto esperavam, entre beijos e abraços, planejavam os próximos passos em terras cariocas.

Quando avistou um funcionário do hotel, Alfredo perguntou-lhe se a Lapa ficava muito longe do bairro do Catete.

Atencioso, simpático, o funcionário disse que não e, na seqüência, explicou como chegar até lá..


No final da explanação, Alfredo olhou para Isabela e perguntou:

- O que tu achas de darmos uma passada lá depois? Daí tu vais conhecer o Rio com a cara do Rio, nos embalos de sábado à noite..


Bem-humorada, com sorriso nos lábios, e covinhas no rosto, Isabela retrucou brincando:


- Sou toda tua durante os próximos dias....

Alfredo não acreditara no que ouvia com tamanha felicidade e simpatia. Depois daquelas primeiras horas de Rio, estava certo de uma coisa: Isabela era a mulher de sua vida.

Todavia, a noite estava apenas começando... ainda mais para um sábado..


Continua...

Barãomente Falando...

Começando essa quarta com o som dos cariocas do Barão Vermelho em “pedra, flor e espinho”..



*****

Dando continuidade, a mescla do sangue brasileiro com o cubano. A carioca Marina de La Riva em “sonho meu”, música da carioca oitentona Dona Ivone Lara..



*****

Fazendo a bola rodar, o meio-de-campo jogar, a mexicana Julieta Venegas em “limón y sal”. A cantora estava de aniversário ontem, completando mais uma primavera...

Entonces, muchas felicidad para la muchacha.


*****

Finalizando essa meiuca de semana, o porto-alegrense Júpiter Maça, vulgo Flávio Basso, e eterno símbolo do rock gaúcho..

A música chama-se “Beatle George” e, assim como a música acima, rola direto nas ondas da 107.1 FM

Ou seja, ex-ex-ex-ex-ex-clusivo!...só aqui... Baita som


Uma quarta-feira tranqüila e serena, como suspiro de gato e água de poço..

Até sexta mizi fio e mizia fia..

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Histórias culinárias: Involtini de frango..



Para existir e sobreviver a nossa grande missão na vida é comer, alimentar-se. Já diriam os mais velhos: “barriga vazia não para em pé..”.

Assim, devido à diversidade culinária brasileira, o gaúcho, desde pequeno, vai aprendendo .....como diria Leopoldo Rassier, na música tradicionalista.

Quando nascemos, durante alguns meses, só bebemos leite. Talvez esse seja o único período na vida em que todos os seres humanos desfrutam da mesma refeição. Do nascimento até pouco mais de um ano.

Depois dessa fase vem a “papinha”, os doces, as porcarias, e os bebês-crianças começam a escolher o que desejam comer.

Dificilmente são alimentos saudáveis como frutas ou legumes..

Assim, gradativamente, vamos criando um paladar, um somatório gastronômico daquilo que nos apetece.

No Rio Grande do Sul, o churrasco, símbolo da comida regional, aparece com suas derivações.

Temos o carreteiro de charque, feijão com charque, massa com charque, pudim de charque, caipirinha de charque, charque ao molho quatro queijos, charque com chantilly...entre outras.

Na cozinha gaúcha, há uma exposição diária da culinária tradicional, em qualquer restaurante, ou Buffet, espalhado pelos rincões do Estado.

Naturalmente, a carne é um alimento...me desculpem os vegetarianos. É a lei da sobrevivência.

Enfim, comer é a única missão que nós somos obrigados a cumprir, mais de uma vez por dia.

Ao longo dos anos, direcionamos nossos gostos alimentares. Qualquer um pode esquecer algo durante o dia, um compromisso, uma reunião, porém, dificilmente, esquecerá daquilo que comeu horas antes.

Não esquecerá porque comer é um dos prazeres da vida, além de ser o combustível humano.

A comida está, para nós, como o álcool, a gasolina, e o diesel estão para os carros.

Conseqüentemente, através da comida, muitas vezes relembramos encontros, lugares, momentos.

Para nos habituarmos com o ritual alimentar, despertamos o apetite procurando pratos agradáveis, saborosos, que, além de alimentar, gerem, em nós, satisfação e gosto de “quero mais”.

A comida é um conjunto inteiro e o visual também conta.

Pode ser uma comida extravagante, uma receita diferente, um prato tradicional bem feito, não importa o jeito, a forma, ou gosto, mas que tenha no final a satisfação do estômago.

Isto é, a comida não pode causar complicações mais adiante.

Lembro da primeira vez que comi strogonoff na minha vida. Tinha uns 8 ou 9 anos. Gostei tanto da comida que esse dia ficou registrado na minha memória.

O mesmo ocorreu quando provei uma pizza de chocolate, com meus 12, 13 anos.

Contudo, durante a vida, conheci muitas pessoas que só tinham uma preocupação: saber qual seria a próxima refeição.

Aliás, nessa época, da adolescência, quando estudava na sexta série de uma escola municipal, lembro de uma história com comida.

Na hora do recreio, de vez em quando, pedia um prensado no bar da escola. Por educação, desde cedo, aprendi a compartilhar os alimentos e, por hábito, sempre pratiquei.

Então, ao oferecer um pedaço do prensado aos amigos, tinha um colega que sempre aceitava.

Quando eu estava muito faminto, logicamente, como qualquer adolescente, ficava torcendo para ninguém aceitar.

Acontece que um colega sempre aceitava e dava mordidas generosas. O pior não era isso. Ele pertencia a uma família simples e de lanche, quase sempre, degustava um limão.

Ele chupava o limão para matar a fome, como alimento, sobretudo, quando não tinha merenda na escola.

E quando ele aceitava o meu prensado, mordia o lanche e deixava o gosto de limão impregnado em todo resto.

Ficava puto da cara, porém, diante dos fatos, compreendia a situação. Assim, como tática, passei a oferecer a finaleira do lanche para ele.. Eliminei os problemas.

Para muitos, uma refeição traz a lembrança de momentos únicos, de reuniões familiares, jantares amigáveis, encontros, situações embaraçosas.

Ocasiões onde pessoas são apresentadas, convidadas, interagem, dão risada, se conhecem diante de mesas fartas, surtidas, degustando uma comida, cumprindo a missão da vida.

Nós, todos os dias, desfrutamos de uma santa ceia. Entretanto, a comida varia.


As lembranças de um prato..


Sou saudosista com uma refeição. Na receita culinária, com a marca do restaurante, os ingredientes são: frango, pedaços de bacon, batata doce com molho branco, um creme com base de amido de milho e folhas de manjericão.

Com certeza a receita não é tão simples assim.

O prato chamava-se Involtini de frango, uma receita incrementada, sofisticada, e com um gosto inigualável. Pelo menos pra mim.

Durante muito tempo visitei o restaurante que fazia esse prato. Virei freguês. Conheci o dono e virei amigo do garçom.

Além de saborosa, com um gosto indecifrável, a comida era oferecida em um ambiente agradável, com um clima aconchegante, intimista.

A luz vinha de pequenas luminárias espalhadas pelo teto e, na mesa, o atendimento era feito por um garçom cortês, atencioso.

Enquanto aguardávamos o preparo do prato, que demorava em média trinta minutos, saboreávamos pedaços de pães, bolachas, recheando com margarina, pasta de ervas, fatias de salame, azeitonas, queijos, etc..

Tratava-se da entrada, oferecida pelo restaurante, enquanto a receita ganhava forma..

Na mesa, diversos pratos, copos, talheres, para cada tipo de ação. Coisas “chiques” e desnecessárias, mas que contemplavam o ambiente.

Faz algum tempo que não reencontro esse prato e essas lembranças. A receita é inexistente nos lugares que tenho ido.

Uma comida que me traz boas lembranças. Hoje, com vontade, ao pensar, salivo minha garganta, provocando um estômago insaciável.

Época onde o ritual da alimentação tinha mais sabor, graça, fineza, beleza. Momentos de uma missão compartilhada.

Espero, quem sabe, um dia, degustar um Involtini de frango para, pelo menos, matar a saudade da refeição e de tudo que a cercava.

Afinal, esse é um dos prazeres da vida.

Tremendamente falando..

Começamos a semana com o carioca tremendão. Erasmo Carlos em “comilão”. O cantor estará em Porto Alegre destilando seu veneno na próxima sexta, 27.



*****

Na seqüência, os jamaicanos do The Congos que estarão fazendo show, em Porto Alegre, dia 3 de dezembro, no bar Opinião.

O grupo foi criado na meiuca dos anos 70 e conta atualmente com um quarteto de vocais. Ou seja, tem tenor, barítono, falsete e todo balacubaco da América Central..

Abaixo, os sessentões do The Congos em “fisherman”..



*****

No embalo dos show, o maranhense Zeca Baleiro em “tem que acontecer”. O cantor fez show ontem, domingo, na capital gaúcha..



*****
Finalizando o início de semana, no embalo nordestino, a composição do pernambucano Alccioly Neto em um grande clássico do forró. A música também foi gravada, outrora, pelo cantor cearense Fagner.

Agora, uma nova versão: Calça Arriada em “espumas ao vento”..forró raiz, direto da Lapa.




COLORADO !!!


A propósito, cadê os cronistas esportivos que diziam que o Inter não chegaria na Libertadores?

Agora, os mesmos, especulam a possibilidade real do título. Falar sobre futebol na mídia é fácil demais...Barbada pura.

Muitos não tem “semancol”, nem autocrítica. Mas seja o que Deus quiser, o que é do colorado está guardado..


Uma boa segunda e terça-feira. Hasta quarta.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Os Dois (parte 12)



Quando estava feliz, Alfredo agia no impulso, sem medir muito as conseqüências. Tudo era simples.

Então, no computador, deixou o site das passagens nos “favoritos” e ficou pensando na viagem.

Alguns minutos depois, Isabela responde a mensagem que ele havia enviado.

- Assim tu tá me deixando mal acostumada..Tbm adorei passar o final de semana contigo. Conversamos amanhã.. Bjãoo e boa noite.


Ao ler aquelas frases escritas na tela do seu celular, Alfredo entusiasmou-se.

Pensara, ainda mais, no feriadão, no Rio de Janeiro. Contudo, perto da 1h00mim, ele foi dormir. A segunda reservava trabalho e surpresas.

A semana iniciou com um amanhecer nublado, cinzento, mas o ânimo de Alfredo era de sol claro. Apesar disso, os dois só conversariam na parte da tarde, pelo msn.

Eles tinham muito trabalho e isso exigia concentração.

Chegado o momento, após cumprimentos rápidos, bobos, divertidos, Alfredo ofereceu carona para Isabela, afinal, tinham aula à noite. Ela aceitou.

Com isso, no horário marcado, Alfredo pegou Isabela em sua casa. Quando ela entrou no carro, ele estendeu a mão, não quis forçar a situação, e Isabela, vendo o gesto, riu.

Na seqüência, chegando mais perto, com o corpo próximo ao dele, Isabela praticamente lhe ofereceu um beijo. Ele, logicamente, aceitou o carinho.

Estavam construindo uma bonita relação. Depois do beijo, partiram para o curso.

No percurso, escutaram rádio, conversaram, brincaram, riram. Quando duas almas parecidas se encontram, não há assunto que sacie a vontade de conversar. E assim funcionava com eles.

Alfredo queria falar da proposta, a viagem, porém, estava receoso, nervoso. Apesar disso, lá pelas tantas, tomou coragem e disse:

- Tenho um convite para fazer. Tu não quer conhecer o Rio no feriadão? Consigo duas passagens de barbada com as milhagens de uma tia. Seria espetacular. Imagina dar uma banda lá e ficar com o corpo dourado com o sol de Ipanema..

Isabela ficou surpresa, escutou quieta, porém, nos seus olhos notava-se um grande entusiasmo.

Ela perguntou que dia seria, quando voltaria, onde ficaria, quanto custaria... coisas de jornalista.

Alfredo tinha amigos no Rio de Janeiro e também sabia alguns lugares tranqüilos, e baratos, para se hospedar.

De qualquer maneira, ele disse que pretendia partir no sábado, pela tarde, e retornar na terça, pela manhã, depois do feriadão.

Não foi um horário agendado, pois significava as condições oferecidas na promoção.

Isabela gostou da ideia, mas lembrou que já tinha conversado com seus pais para ir visitá-los.

Tomado de coragem, e poder de persuasão, ainda mais porque desejava, Alfredo sugeriu que ela fosse para o interior no outro final de semana.

Falou que o feriadão era uma oportunidade única para ir mais longe, esticar um passeio, e começou a enumerar os pontos positivos do Rio.

Afirmou que os problemas vistos na TV, embora existissem, não retratavam o Rio. Longe disso, o carioca era um povo alegre, divertido, receptivo.

Disse que a capital fluminense não significava o caos urbano, a violência, pelo contrário, mencionou que a zona sul carioca, pela beleza natural, era a melhor zona sul do mundo.

Citou a lapa, o Circo Voador, a Fundição Progresso, calçadão de Copacabana, Pão de Açúcar, Cristo Redentor, praias, etc. Tentou convencer e, pelo jeito, estava conseguindo.

Quando chegaram ao curso, Isabela respondeu dizendo que iria pensar. Durante a aula, enquanto os colegas prestavam atenção na oratória, Alfredo refletia.

Pensara que talvez tivesse sido afobado demais. Apesar da boa relação com Isabela, conhecia a colega, mesmo, há 15 dias.

Quer dizer, ficou na dúvida se estava agindo certo. Se dependesse dele, das suas vontades, dos seus desejos, já estava com a passagem comprada e o hotel reservado.

No entanto, no curso, agiram como amigos, não expuseram a relação para ninguém.

Discorrido o tempo do saber, mais um encontro educacional chegava ao fim. Desse jeito, retornaram para Porto Alegre. O curso ficava próximo, na região metropolitana.

No caminho de volta, conversando, Isabela fez outras perguntas. Questionou o preço da passagem, da hospedagem, entre outras.

Respondendo, Alfredo, garantido, falou que essa parte era assunto dele. Disse que a maior retribuição que ela poderia dar seria sua presença.

E mencionou que gostaria de fazer esse passeio com ela.

Em determinados momentos, Alfredo parecia pressentir que o tempo estava findando, que havia necessidade de pressa, como se ela fosse retornar ao interior ou coisas do tipo.

Por isso, transbordava vontade e convencimento. No final da carona, perto da casa de Isabela, Alfredo questionou:

- Eai, vamos?


Isabela não respondeu a pergunta. Pediu um prazo. Disse:

- Me dá um tempo para pensar. Tu me pegou de surpresa..


Alfredo concordou e, com isso, não insistiu mais naquela noite. Quando estacionou o carro em frente ao apartamento dela, os dois se despediram. Beijaram-se.

Foi um beijo ardente, intenso, ainda mais para o horário, e escuridão, da rua. Não temerem um assalto, pois fortificavam o amor. Depois dos carinhos, combinaram de conversar no outro dia.


A semana e a decisão:



Na terça, caso quisesse ir, Alfredo teria que correr contra o tempo, pois, assim como surgem as promoções somem, sobretudo, em época de feriadão.

Foi trabalhar nervoso, ansioso. Haja café...

No entanto, para sua surpresa, enquanto lia o jornal, ele recebeu a melhor notícia da semana. No celular, uma mensagem de Isabela. Dizia:


- Aceito o convite...Mas com uma condição: tu vais ir comigo, no outro final de semana, lá na casa dos meus pais.. Combinado?


Isabela não só aceitava como propunha uma relação mais estável. Pelo menos, assim entendeu Alfredo que, rindo sozinho, não acreditava no que lia.

Ele ficou tão eufórico, em outro mundo, que achava graça inclusive nas páginas policiais do jornal.

Desse modo, sem perder tempo, foi “agilizar” as passagens e hospedagem. Em menos de duas horas estava tudo sacramentado.

Comprou passagens e conseguiu se hospedar em um hotel no bairro do Catete.

Se tratando de um feriadão, demorou mais tempo para achar uma boa acomodação. Apesar de ser no centro, o hotel parecia bonito nas fotos do site.

Além do mais, Alfredo conhecia amigos que moravam próximos dali, no bairro do Flamengo.

Portanto, depois da confirmação, ligou para Isabela. Antes de contar todo o processo, agradeceu a confiança e disse que seria uma viagem inesquecível.

No telefone, Isabela demonstrava entusiasmo. Assim, automaticamente, firmou compromisso de visitar os pais dela, no outro final de semana.

Com tudo combinado, os dias praticamente voaram. Devido questões profissionais, Alfredo e Isabela não se encontraram na terça, nem na quarta.

Contudo, por telefone, mensagem e msn, viviam conectados, interligados.

Isabela perguntava sobre o clima do Rio, se ele achava que estaria frio ou quente. Queria escolher os melhores figurinos.

Pesquisando na internet, Alfredo viu que a previsão era de tempo bom e sol. Ou seja, até São Pedro estava de acordo com o namoro. Agia como padrinho.

Os dois voltaram a se reencontrar na quinta, após o trabalho. Foram tomar uma cerveja no mesmo bar do primeiro encontro.

Lá, fizeram muitos planos, traçaram rotas, projetaram visitas. Conversando os dois viviam intensamente a viagem, mesmo antes do embarque.

Isabela disse que, assim como Alfredo, tinha conseguido folga na terça-feira de manhã. Isto é, teriam mais tempo para conhecer, e aproveitar, a cidade maravilhosa.

Ela listava as roupas que iria levar e Alfredo a motivava relembrando os lugares que já tinha ido, e que gostaria de mostrá-la.

Ele falava do teatro Municipal, da Biblioteca Nacional, da Confeitaria Colombo, do palácio do Catete.

Ela, como toda mulher, mencionava o shopping Riosul, em Botofago, o BarraShopping, na Barra da Tijuca, e algumas peças de teatro em cartaz na cidade.

Também falavam das praias e dos pontos turísticos. Diante de tantos planos, Alfredo pediu um pedaço de papel ao garçom e ali traçaram um roteiro improvisado.


A véspera da viagem..

Na sexta, os dois se reencontram para, mais uma vez, freqüentar o curso. Embora aprendessem mais na vida, conversando, o certificado contava pontos no currículo.

Quando pegou ela, em casa, às 18h25min, as primeiras palavras que Alfredo ouviu foram essas:


- Oi. Já tava com saudade de ti..



Quando escutou ela falar, com seu jeito meigo, apaixonante, por fora, Alfredo sorriu.

Porém, por dentro, o orgulho e a felicidade elevaram os batimentos cardíacos a mais de cem batidas por minuto.

Tinha sido um gesto tão sincero, e carinhoso, que Isabela conseguia contagiar ainda mais Alfredo, como se fora possível.

Os dois trocaram alguns carinhos e, na seqüência, dirigiram-se para o curso.

No trajeto de ida, a pauta principal foi à viagem. Nesse dia, ironicamente, a aula demorou séculos para passar.

Eles sentaram próximos, lado a lado, e, através de bilhetinhos, conversavam durante a explicação.

Nesse momento, não havia concentração suficiente para nada. Muito menos algo que não fosse a tal viagem.

De qualquer maneira, quando a aula acabou, retornaram para Porto Alegre e foram jantar num restaurante chinês.

Os dois estavam na véspera de um momento único, quase uma lua de mel adiantada, descompromissada.

E, com certeza, seria um feriado inesquecível, sobretudo para Isabela..

Continua...

Zumbimente falando..

Nesta sexta, 20 de novembro, em muitos Estados é feriado. É o dia da consciência negra.

Na realidade, essa data foi escolhida por se tratar do mesmo dia em que foi morto Zumbi dos Palmares, em 1695.

Apesar de ser um pouco contrário a datas, pois acredito que todo o dia é dia, não poderia passar em branco diante do fato.

Afinal, graças aos negros temos o filé da música. caso contrário, só música clássica.

Salve as exceções, a maioria dos ritmos musicais foram “catapultados” ao sucesso através das mãos de negros, embora o reconhecimento merecido tenha demorado mais tempo.

O macharedo.

No mundo, Chuck Berry, Jimi Hendrix, John Lee Hooker, Muddy Waters, B.B. King, Buddy Gay, Charles Mingus, Bob Marley, Skatalites, Ray Charles, Stevie Wonder, Michael Jackson (embora tenha mudado de cor ao longo do tempo), Louis Armstrong, Miles Davis, entre tantos outros..

No Brasil, Lupicínio Rodrigues, Ataulfo Alves, Luiz Gonzaga, Pixinguinha, Cartola, Jorge Ben, Tim Maia, Milton Nascimento, Gilberto Gil, Paulinho da Viola, Nelson do Cavaquinho, Edson Gomes, entre outros.


Já às damas..


Nina Simone, Clementina de Jesus, Elza Soares, Mirim Makeba, Tereza Cristina, Billie Holiday, Aretha Franklin, Lecy Brandão, Alcione, Lauren Hill, Tracy Chapman, entre tantas outras..

Quer dizer, alguém ainda ousaria ser racista para rejeitar toda essa produção musical?

Entonces, para começar, o norte-americano John Lee Hooker. O precursor do blues em Chicago, em meados dos anos 50, com “boom boom”, ao vivo.



*****

Prosseguindo, os ingleses do Steel Pulse que, nesse momento, devem estar prestes a entrar no palco do Opinião para a segunda apresentação em Porto Alegre.

Estive lá, no primeiro show, fazendo a resenha para o site poashow.com.br.

Para saber como foi, o link abaixo:

http://poashow.com.br/2009/11/19/na-babilonia-farroupilha-steel-pulse-em-dose-dupla/

Então, a banda Steel Pulse em “African Hocaust”.



*****

Dando continuidade, o marfinense, radicado na França, Tiken Jah Fakoli. O cantor, inclusive, gravou com o Steel Pulse na música acima.

Abaixo, solamente ele. Tiken Jah, o novo Alpha Blond, melhorado, em “Le descendant”, onde prega a união, sobretudo, africana..

Baita som..



*****

Finalizando mais uma semana, os uruguaios que sofreram na última quarta. Um jogo onde tapa na cara, e dedo no olho, foram carícias trocadas..

La Vela Puerca em “ Va a escampar”. Neste caso, do futebol, não vai mais...



Um bom final de semana aos amigos e amigas..

Que a chuva fortifique as raízes e brote bons pensamentos...ô loco meo.

Até segunda.