
Naquela noite, Alfredo chegou em casa e, antes de tudo, resolveu mandar uma mensagem para Isabela. Estava inquieto, agitado. À noite havia sido tão boa que ele queria deixar isso bem claro.
Assim, escreveu para o celular dela:
-Valeu a parceria. À noite e a conversa foram mto boas. O livro é espetacular. Mas o melhor mesmo foi à companhia...Boa noite
Isabela era uma guria cativante, principalmente quando ria, exaltando as covinhas do rosto, e ele agia como se ela fosse solteira. Na verdade, ele ainda não havia descoberto esse detalhe importante. Mesmo assim, mantinha seus sonhos.
Poucos minutos depois, enquanto folhava o livro de Adorno, Isabela respondeu a mensagem:
- Tbm adorei a conversa... Boa noite. bjoss
Foi uma mensagem curta, enigmática para seus anseios, todavia, era o início. Alem do mais, para Alfredo, era uma noite de comemorações.
Antes de dormir, no telejornal, ainda viu os gols da derrota de seu time. Nessa altura, o fracasso futebolístico fazia pouca diferença.
Alfredo foi dormir imaginando o que estaria por vir. Pelo menos o que ele gostaria que viesse.
No dia seguinte, os dois começaram a se falar por mensagem, msn, e tudo que era possível. Alfredo e Isabela começaram a estreitar a relação.
Era uma quinta, um dia após o encontro e, um dia antes do próximo. Eles conversaram bastante através do computador. O papo fluía naturalmente, como se fosse uma extensão daquela noite, e Alfredo comunicou que já havia tirado o xerox do livro..
Durante as conversas com ela, no computador, ele perguntou:
- Tu não queres carona para o curso amanhã?
Isabela aceitou o convite. E os dois combinaram a ida. Estava tudo indo muito certo. As horas passavam rapidamente e, na sexta-feira, no horário marcado, os dois se reencontraram.
Alfredo entregou-lhe o livro e agradeceu o empréstimo. Depois disso, partiram rumo ao curso. Durante o percurso, conversaram bastante. Falavam sobre tudo.
No entanto, em determinado momento, Alfredo perguntou se Isabela namorava. Ela, tranqüila, disse que não, disse que estava sozinha, porém, ressaltou que estava saindo de um relacionamento.
Alfredo, não querendo relembrar esse momento, as lembranças de Isabela, mudou o rumo da prosa. Pelo menos, já sabia o mais importante.
Chegando ao local de estudo, partiram para mais uma aula. O ambiente era o mesmo, cheio de gente, mas o clima...quanta diferença.
Os dois sentaram perto, lado a lado, e passaram a aula inteira interagindo, conversando, entre uma explicação e outra do palestrante.
Alguns colegas, mais espertos, notavam a aproximação dos dois. Aos olhos atentos, eles pareciam estar num mundo à parte, um lugar paralelo.
Havia uma química forte entre os dois, onde um complementava o outro e, os dois, ficavam completos juntos.
No intervalo da aula, enquanto Alfredo foi conversar com um amigo, Isabela conversava com suas colegas de curso.
Alfredo notava alguns olhares em sua direção, como se estivessem falando sobre ele. Até então, poucas pessoas sabiam o que estava acontecendo.
O tempo foi passando e a aula mais uma vez chegava ao final. No retorno, Alfredo e Isabela voltaram juntos novamente. Os assuntos que outrora eram sobre profissão e o curso, agora, permeavam todos os temas.
Levaram cerca de 30 minutos até Porto Alegre.
Antes de deixá-la em casa, Alfredo perguntou o que Isabela faria no final de semana. Ela disse que não havia pensado em nada ainda.
Desse jeito, ele a convidou para ver um documentário que estava passando no cinema. O documentário era “Titãs- a vida até parece uma festa”.
Isabela, sem pensar muito, aceitou. Ela gostava de música, fazia parte do esquema.
Aos poucos, estava sendo seduzida por ele. Chegando ao destino, os dois se despediram.
Havia uma atração muito forte e eles agiam como se fossem velhos amigos, íntimos. Não parecia que tinham se conhecido há pouco mais de uma semana.
O final de semana.
Consigo, ele carregava o orgulho e a satisfação de ver acontecer aquilo que desejara. Teve dificuldade para dormir naquela sexta.
Portanto, o sábado amanheceu com céu limpo, sem nuvens e com temperatura agradável.
Era um dia bonito, típico de primavera e Alfredo acordou por volta das 10h30min. O encontro estava marcado para as 18h30min.
Pensando adiante, no futuro, ele resolver dar uma organizada no apartamento. Assim, o tempo foi passando até que chegou o momento derradeiro.
Às 17h26min, ele ligou para Isabela a fim de combinar os últimos detalhes. Com sua característica marcante, sempre alegre, disposta, ela demonstrava aquilo que Alfredo queria: estava feliz. Assim como ele.
Então, acertaram os detalhes para o reencontro. Às 18h33min ele estava com o carro na frente do prédio de Isabela. Ele calçava tênis, trajava bermudas e camiseta, pois estava calor.
Ela demorou um pouco, alguns minutos.
Contudo, quando surgiu, arrancou suspiros silenciosos dele. Linda, Isabela usava tênis, vestia calça jeans e uma camiseta Baby look. O cabelo estava preso. Quando os olhos se encontraram, sorriram ao natural.
Os dois estavam sintonizados na mesma freqüência.
Com isso, ela entrou no carro e eles partiram para o cinema. O documentário começava às 19h30min.
Embora Alfredo desejasse, ele não pressionava Isabela. Queria que as coisas acontecessem naturalmente.
Chegando ao cinema, foram os primeiros a entrar na sala de exibição. Afinal, lá dentro, no escurinho do cinema, o clima beneficiava.
Para evitar reclamações, antes do filme, conversavam ao “pé do ouvido”, e, ao mesmo tempo, ficavam mais próximos.
A sala de exibição do cinema não estava lotada, e o filme iniciou às 19h45min, após os trailers.
Apesar de ser um registro interessante, um belo documentário, Alfredo só pensava em Isabela, nos próximos passos. Ele estava nervoso.
Por outro lado, Isabela parecia tranqüila e ria com as apresentações do grupo no programa do Chacrinha.
Durante o filme, quando comentavam alguma cena, cochichavam tão próximos que se tocavam freqüentemente. Os braços estavam colados no descanso da poltrona.
No meio do documentário, Alfredo disse que iria ao banheiro. Antes de ir, perguntou se Isabela queria alguma coisa. Ela pediu uma água sem gás.
No banheiro, pensava em como agir para atingir seu objetivo. Depois comprou a água e voltou à sala de exibição.
Com o final do documentário, pouco depois das 21h00min, os dois saíram conversando sobre o que tinham visto. Assim, antes mesmo de sair do cinema, Alfredo convidou:
- Vamos comer alguma coisa? Uma pizza, um sushi, um lanche, tu escolhe...
Isabela, seduzida, aceitou e escolheu uma pizza. Alfredo sugeriu uma pizzaria perto do cinema, onde o clima era bom, com luz indireta e privacidade. Ou seja, o restaurante tinha um clima romântico, como ele queria.
Isabela, sem conhecer o lugar, nem as características, confiou nele. Desse modo, os dois partiram para degustar uma pizza e, também, conversar sobre o filme.
Entretanto, o filme não seria o assunto principal do jantar e os dois, a partir dali, se envolveriam para sempre.
Continua..





