sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Os Dois (parte IX)



Naquela noite, Alfredo chegou em casa e, antes de tudo, resolveu mandar uma mensagem para Isabela. Estava inquieto, agitado. À noite havia sido tão boa que ele queria deixar isso bem claro.

Assim, escreveu para o celular dela:


-Valeu a parceria. À noite e a conversa foram mto boas. O livro é espetacular. Mas o melhor mesmo foi à companhia...Boa noite


Isabela era uma guria cativante, principalmente quando ria, exaltando as covinhas do rosto, e ele agia como se ela fosse solteira. Na verdade, ele ainda não havia descoberto esse detalhe importante. Mesmo assim, mantinha seus sonhos.

Poucos minutos depois, enquanto folhava o livro de Adorno, Isabela respondeu a mensagem:

- Tbm adorei a conversa... Boa noite. bjoss

Foi uma mensagem curta, enigmática para seus anseios, todavia, era o início. Alem do mais, para Alfredo, era uma noite de comemorações.

Antes de dormir, no telejornal, ainda viu os gols da derrota de seu time. Nessa altura, o fracasso futebolístico fazia pouca diferença.

Alfredo foi dormir imaginando o que estaria por vir. Pelo menos o que ele gostaria que viesse.

No dia seguinte, os dois começaram a se falar por mensagem, msn, e tudo que era possível. Alfredo e Isabela começaram a estreitar a relação.

Era uma quinta, um dia após o encontro e, um dia antes do próximo. Eles conversaram bastante através do computador. O papo fluía naturalmente, como se fosse uma extensão daquela noite, e Alfredo comunicou que já havia tirado o xerox do livro..

Durante as conversas com ela, no computador, ele perguntou:


- Tu não queres carona para o curso amanhã?


Isabela aceitou o convite. E os dois combinaram a ida. Estava tudo indo muito certo. As horas passavam rapidamente e, na sexta-feira, no horário marcado, os dois se reencontraram.

Alfredo entregou-lhe o livro e agradeceu o empréstimo. Depois disso, partiram rumo ao curso. Durante o percurso, conversaram bastante. Falavam sobre tudo.

No entanto, em determinado momento, Alfredo perguntou se Isabela namorava. Ela, tranqüila, disse que não, disse que estava sozinha, porém, ressaltou que estava saindo de um relacionamento.

Alfredo, não querendo relembrar esse momento, as lembranças de Isabela, mudou o rumo da prosa. Pelo menos, já sabia o mais importante.

Chegando ao local de estudo, partiram para mais uma aula. O ambiente era o mesmo, cheio de gente, mas o clima...quanta diferença.

Os dois sentaram perto, lado a lado, e passaram a aula inteira interagindo, conversando, entre uma explicação e outra do palestrante.

Alguns colegas, mais espertos, notavam a aproximação dos dois. Aos olhos atentos, eles pareciam estar num mundo à parte, um lugar paralelo.

Havia uma química forte entre os dois, onde um complementava o outro e, os dois, ficavam completos juntos.

No intervalo da aula, enquanto Alfredo foi conversar com um amigo, Isabela conversava com suas colegas de curso.

Alfredo notava alguns olhares em sua direção, como se estivessem falando sobre ele. Até então, poucas pessoas sabiam o que estava acontecendo.

O tempo foi passando e a aula mais uma vez chegava ao final. No retorno, Alfredo e Isabela voltaram juntos novamente. Os assuntos que outrora eram sobre profissão e o curso, agora, permeavam todos os temas.

Levaram cerca de 30 minutos até Porto Alegre.

Antes de deixá-la em casa, Alfredo perguntou o que Isabela faria no final de semana. Ela disse que não havia pensado em nada ainda.

Desse jeito, ele a convidou para ver um documentário que estava passando no cinema. O documentário era “Titãs- a vida até parece uma festa”.

Isabela, sem pensar muito, aceitou. Ela gostava de música, fazia parte do esquema.

Aos poucos, estava sendo seduzida por ele. Chegando ao destino, os dois se despediram.

Havia uma atração muito forte e eles agiam como se fossem velhos amigos, íntimos. Não parecia que tinham se conhecido há pouco mais de uma semana.


O final de semana.


Consigo, ele carregava o orgulho e a satisfação de ver acontecer aquilo que desejara. Teve dificuldade para dormir naquela sexta.

Portanto, o sábado amanheceu com céu limpo, sem nuvens e com temperatura agradável.

Era um dia bonito, típico de primavera e Alfredo acordou por volta das 10h30min. O encontro estava marcado para as 18h30min.

Pensando adiante, no futuro, ele resolver dar uma organizada no apartamento. Assim, o tempo foi passando até que chegou o momento derradeiro.

Às 17h26min, ele ligou para Isabela a fim de combinar os últimos detalhes. Com sua característica marcante, sempre alegre, disposta, ela demonstrava aquilo que Alfredo queria: estava feliz. Assim como ele.

Então, acertaram os detalhes para o reencontro. Às 18h33min ele estava com o carro na frente do prédio de Isabela. Ele calçava tênis, trajava bermudas e camiseta, pois estava calor.

Ela demorou um pouco, alguns minutos.

Contudo, quando surgiu, arrancou suspiros silenciosos dele. Linda, Isabela usava tênis, vestia calça jeans e uma camiseta Baby look. O cabelo estava preso. Quando os olhos se encontraram, sorriram ao natural.

Os dois estavam sintonizados na mesma freqüência.

Com isso, ela entrou no carro e eles partiram para o cinema. O documentário começava às 19h30min.

Embora Alfredo desejasse, ele não pressionava Isabela. Queria que as coisas acontecessem naturalmente.

Chegando ao cinema, foram os primeiros a entrar na sala de exibição. Afinal, lá dentro, no escurinho do cinema, o clima beneficiava.

Para evitar reclamações, antes do filme, conversavam ao “pé do ouvido”, e, ao mesmo tempo, ficavam mais próximos.

A sala de exibição do cinema não estava lotada, e o filme iniciou às 19h45min, após os trailers.

Apesar de ser um registro interessante, um belo documentário, Alfredo só pensava em Isabela, nos próximos passos. Ele estava nervoso.

Por outro lado, Isabela parecia tranqüila e ria com as apresentações do grupo no programa do Chacrinha.

Durante o filme, quando comentavam alguma cena, cochichavam tão próximos que se tocavam freqüentemente. Os braços estavam colados no descanso da poltrona.

No meio do documentário, Alfredo disse que iria ao banheiro. Antes de ir, perguntou se Isabela queria alguma coisa. Ela pediu uma água sem gás.

No banheiro, pensava em como agir para atingir seu objetivo. Depois comprou a água e voltou à sala de exibição.

Com o final do documentário, pouco depois das 21h00min, os dois saíram conversando sobre o que tinham visto. Assim, antes mesmo de sair do cinema, Alfredo convidou:

- Vamos comer alguma coisa? Uma pizza, um sushi, um lanche, tu escolhe...

Isabela, seduzida, aceitou e escolheu uma pizza. Alfredo sugeriu uma pizzaria perto do cinema, onde o clima era bom, com luz indireta e privacidade. Ou seja, o restaurante tinha um clima romântico, como ele queria.

Isabela, sem conhecer o lugar, nem as características, confiou nele. Desse modo, os dois partiram para degustar uma pizza e, também, conversar sobre o filme.

Entretanto, o filme não seria o assunto principal do jantar e os dois, a partir dali, se envolveriam para sempre.

Continua..

Roberto Carlosmente falando...

Começamos com mais um mestre. O capixaba Roberto Carlos em “se eu pudesse voltar no tempo”. Baita som e baita letra..nostalgia pura.



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Seguindo, no embalo do virtuosismo, e do jantar do casal acima, o rockabily instrumental do argentino Ariel Rot em “confesiones de um comedor de pizza”, baita som..



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Na mesma categoria, os criadores do ska e reggae, conseqüentemente. Os jamaicanos do The Skatalites mostrando que tbm sabem fazer reggae. Um baita som, sem palavras..

O show foi em 2009, no circo voador, um dia antes da apresentação em POA..



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E, encerrando mais uma semana, uma semana curta como dedo mindinho de anão, o gaúcho Charles Master, ex- TNT, em “ficar junto”, música do álbum Ninguém é perfeito, de 2008.



Um bom final de semana aos amigos e amigas. Até segunda

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Os valores..quais $erão? (Série filosofando)


Figura encontrada nesse site.

No último final de semana, filosofando com amigos, concluímos que vivemos um período de transformação, de novos paradigmas, ocasionado pela revolução do momento: a revolução digital.

Daqui vinte anos, com certeza, nós estaremos em uma nova era. Se ela será melhor ou pior é impossível saber. Com o avanço da tecnologia, as relações tendem a mudar e, no mesmo embalo, teremos outra sociedade, talvez, com a mesma face, mas, com diferentes conceitos, anseios.

Os dogmas serão mais individualizados, personalizados, ou resultarão da força de um pensamento coletivo, uma construção pautada pelo senso comum?

Atualmente, com as redes sociais, por exemplo, a tecnologia está servindo o plano individual. Salvem as exceções, que a utilizam como ferramenta de construção, debate, a maioria dos internautas busca, na tecnologia, uma satisfação pessoal.

Quer dizer, naturalmente, os valores de antigamente vão mudando. Se voltássemos 20 anos, observaríamos que as relações eram outras, mais coletivas, interpessoais, palpáveis.

Nos dias atuais, as relações são mediadas por telas, botões, instantaneidade, conectividade. Não é uma crítica, apenas uma constatação.

Assim, com o “encurtamento” dos processos da vida, os valores sociais viram desejos mutantes, que se renovam a cada instante, como uma roupa de marca extravagante, ou um produto eletrônico na estante.

Voltando no tempo, não tão distante, há vinte anos, a realidade política e social era uma base dos valores a serem seguidos pela sociedade. Isto é, em 1989, depois de mais de 20 anos de regime autoritário, vivíamos uma vitória da democracia e o Brasil escolhera seu presidente.

Portanto, existiam outras bandeiras, além dos objetivos individuais. Um objetivo em comum.

Desse modo, aquela geração tinha uma diretriz, um sonho almejado, uma utopia maior, e as relações se davam no contato físico, presencial, real.

Entretanto, eis que surge a revolução digital, com seus benefícios incontestáveis, e suas simplificações perigosas.

Com a digitalização do mundo, tivemos muitos avanços, entre eles, o principal: a liberdade de pensamento, de escolha. Desse jeito, passamos a desvendar o mundo que nós queríamos, não, o do coletivo.

Com isso, essa nova sociedade, ofertada para essa geração, da virtualidade, traz consigo outros conceitos, mais específicos, e, muitas vezes, egoístas.

Hoje em dia, tudo é muito rápido. Em questão de minutos descobrimos algo totalmente novo e, ao mesmo tempo, nos tornamos conhecedores natos. Bem diferente de antigamente, onde as bibliotecas e enciclopédias eram o norte.

A tecnologia, nesse sentido, é muito positiva. Seria muito melhor se utilizada, sobretudo, para a construção de um desejo coletivo.

As dificuldades de outros tempos, provocadas pelo modo de vida de então, hoje, são facilmente batidas, desvendadas com um toque no mouse.

Facilidades bem-vidas, porém, nas relações humanas, a tecnologia minimiza importantes conceitos. O processo de espera das coisas, por exemplo, é um deles.

Através desse novo paradigma, onde, paralelamente, o divórcio é mais realizado do que o casamento, o processo de construção das relações perde para a instantaneidade dos desejos.

Refletimos uma sensação pressa, de viver tudo, intensamente, mas, na real, vivemos uma ilusão, proporcionada por um mundo imaginário, criado por cada um de nós. Assim, na contradição da vida, nos afastamos das pessoas, do contato humano.

Quando a tecnologia deixa de ser ferramenta e passa a ser um modo de vida, de existência, os valores são modificados. A partir disso, o que importa é como os outros nos vêem, a aparência, a superficialidade.

Ou seja, como se fossemos a vitrine do comércio expondo suas melhores partes. Porém, a vida é o contato humano, a conversa frente a frente, olho no olho.

É dessa forma que se constroem os valores sociais, as ideias coletivas. Todo esse avanço tecnológico é um fato imutável e, daqui pra frente, vai até a eternidade.

Portanto, estamos no meio de um período de transformação, agindo como cobaias da história, vivenciando uma revolução digital, comportamental, social, moral.

Talvez não tenhamos aprendido a lidar com as novas possibilidades surgidas com essa aproximação relâmpago.

Caso mantivéssemos as velhas utopias, perante esse contexto, poderíamos utilizar a tecnologia, com mais afinco, para melhorar a qualidade de vida na sociedade.

Afinal, isso é o que realmente importa.

Por enquanto, a tecnologia é um produto de consumo, ofertado para a satisfação pessoal, embutida de status e orgulho individual. Um valor agregado, nos dias atuais, que antigamente não existia.

Anos atrás, quando surgiu o Orkut, o objetivo, da maioria, era atingir a maior quantidade de amigos. Atualmente, no twitter, o objetivo é o mesmo. Não importa o conteúdo, mas, sim, o número de seguidores..

Nas grandes cidades, principalmente, muitos tem mais de 10 mil seguidores, no twitter, ou 500 amigos, no orkut, porém, na rua, cumprimentam duas ou três pessoas. Um eterno paradoxo.

Talvez, no futuro próximo, possamos usar toda essa potencialidade para um objetivo maior, com base num conceito coletivo, real, concreto.

Além do lazer, usaríamos a tecnologia para, por exemplo, propor questões, debates, soluções, ou fiscalizar, de fato, os órgãos públicos.

Essas poderiam ser as diretrizes de uma nova sociedade, ancorada na tecnologia e instantaneidade.

Na realidade, nos preocupamos com os pingüins da Sibéria, ou os tigres de bengala da Mongólia. No entanto, não sabemos o que acontece na nossa rua, no nosso bairro.

De qualquer maneira, em outros tempos, a noção de espaço, território, proximidade, era diferente e isso configura nitidamente que, hoje, navegamos no barco de uma vindoura sociedade.

Somos tripulantes a bordo de uma embarcação criativa, multifacetária, que está boiando no mar de novos objetivos e valores.

Diante dessa realidade, como diria um provérbio chinês: “Podemos escolher o que semear, mas somos obrigados a colher aquilo que plantamos”.

O que será que virá por ai?


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Abaixo, os ingleses veteranos do Pink Floyd na lei da atualidade, o valor do momento: “Money”.



Complementando, a norte-americana Eve em “Rat race”, clássico de Bob Marley. A música faz parte do DVD em homenagem ao rei do reggae, realizado pela família Marley, na Jamaica, em 1999.




Saudações e até sexta-feira, nesse mesmo bate canal...

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Os Dois (parte VIII)



Durante o trajeto até o automóvel, os dois continuaram a conversa até Alfredo avistar o "cuidador" de carro. O sujeito estava longe do veículo, porém, ao notar a aproximação, foi na direção dos dois.


Quando estava mais perto, pronunciou o jargão da profissão:

- Fala dusmeu, bem cuidado aí..

Querendo mostrar habilidade comunicacional, Alfredo sacou algumas moedas de seu bolso e foi gratificar o trabalhador da rua, mesmo sem ter certeza se era merecido.

Ele o cumprimentou e iniciou um breve diálogo.

Alfredo tratava as pessoas iguais, sem distinção, e tinha valores bem definidos. Sua principal virtude era o respeito ao próximo. Assim, após o acerto informal, os dois embarcaram no automóvel.

Antes de entrar, alertou:

- Não repara a bagunça do carro, ele está um pouco sujo.


Ele era generoso, e tinha o dom de minimizar as imperfeições. Na verdade, o veículo não recebia uma ducha há meses.

Contudo, a noite ajudava a mascarar a sujeira. Isabela, sorrindo, disse que não dava bola para isso.

Na visão de Alfredo, o carro funcionava somente como um meio de locomoção, de transporte, e ele não reservava muito tempo para os cuidados estéticos.

Desse modo, os dois partiram em direção a casa de Isabela, que não era muito longe dali. Apesar da proximidade, Alfredo errou o caminho mais curto, espichando um pouco o trajeto.

Ele sabia apenas o básico, as rotas mais tradicionais, e os atalhos não faziam parte da sua vida de motorista. Isabela, degustando o bombom, agia como co-piloto, apontando os caminhos.

O rádio do carro permanecia desligado, mas, as conversas, com freqüência, eram sintonizadas pela mesma visão de mundo. Conversas unificadas no mesmo pensamento. Ambos eram muito parecidos.


Com isso, a carona durou, aproximadamente, 10 minutos até chegar ao seu destino. Isabela, direcionando as ações, sinalizou pela janela:

- Eu moro naquele prédio ali na frente, onde está estacionado aquele carro branco.

Atendendo as ordens, ele ligou o pisca, para a direita, e parou na frente do prédio.

Alfredo queria ser mais ousado, dizer que não parava de pensar nela, ou seja, ser honesto com os sentimentos, porém, preferiu o silêncio.

Afinal, não queria desperdiçar nenhuma chance. E, naquela noite, ele estava tendo uma oportunidade de, pelo menos, iniciar uma grande amizade.


Entretanto, antes de deixá-la em casa, perguntou:

- Poderíamos combinar alguma coisa no final de semana, um chimarrão ou uma cervejinha, para continuarmos a conversa. O que tu achas?



Isabela, com a porta do carro já aberta, respondeu:


- Claro, combinamos alguma coisa na aula, sexta. E cuida do meu livro.


Isabela, além de inteligente, bonita e simpática, não tinha muita frescura. Era uma menina simples.

Assim como não tinha reparado a sujeira do carro, ela também não ficava procurando problemas, defeitos, pelo contrário, gostava da essência.

E, para Alfredo, isso era bom.

Portanto, um pouco antes das 23h30, Isabela estava em casa. Alfredo estendeu a mão, para agradecer a parceria, e foi correspondido.

Depois, esperou ela entrar no prédio para acelerar. Queria certificar-se que nada de ruim iria acontecer.

Após abrir as grades que cercavam o prédio, Isabela acenou para Alfredo. Era um aceno de até breve, não, de despedida. Um aceno com gosto de quero mais.

Quando Isabela ingressara nas dependências do prédio, ele partiu com o carro. Foi feliz, de bem com a vida. Na primeira esquina, ligou o rádio e colocou o cd que mais gostava.

Durante o percurso até sua casa, embalado pela música, Alfredo cantou como se fosse o próprio vocalista. Enfim, ele havia vencido uma grande batalha. Uma batalha contra sua timidez.

Em cada sinaleira, com o sinal fechado, ficava viajando, relembrando todos os momentos do encontro. Além disso, o perfume de Isabela e o livro de Adorno avivavam todas as lembranças e desejos.

Alfredo estava tão distraído que não observou a fiscalização eletrônica da rodovia.

Quer dizer, estava vulnerável, embriagado de euforia, e, por isso, havia grandes possibilidades de levar uma multa de um pardal milimetricamente escondido.

No entanto, naquele dia, para Alfredo, nada estragaria a imensa alegria provocada por aquela guria. Foi uma noite muito divertida e, antes de chegar em casa, na sua mente, ele já tinha criado até uma poesia.

Isabela, talvez, não sabia, mas Alfredo estava apaixonado por aquela menina..


Continua...

Poeticamente falando...

Iniciando essa semana pós-feriado, o paulista Arnaldo Antunes em “consumado”.

No show que fez em Porto Alegre, no bar Opinião, Arnaldo Antunes cantou uma música no meio do público, se inserindo na platéia e mostrando que a simplicidade é a característica mais agradável de um artista.



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Seguindo no Brasil, o violeiro baiano Xangai em “bolero de Isabel”, do poeta paraibano Jessier Quirino. A canção tem, como inspiração, a música “bolero” de Ravel, composta na década de 1920.

Contudo, a versão é totalmente abrasileirada, poética e bem-humorada..Além de ser, quase, uma música para Isabela.



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Viajando para os Estados Unidos, o californiano Tom Waits em “cold water”, baita som..



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Fechando a conta, e passando a régua, os espanhóis do Fito y Fitipaldis em “corazón oxidado”, última música do cd Vivo para contarlo, gravado em Bilbao, no ano de 2004.

A música, ainda, conta com a participação do rapper espanhol Sicário.



Um bom retorno de feriado aos amigos e amigas. Até amanhã ou quinta. A ordem dos fatores não alterará o produto.

Afinal, de concreto, iça! Saúde é o que interessa, o resto não tem pressa.

Saudações.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Pai e mãe: Quem não tem?


Acima, a família de Tarsila do Amaral.


Durante muito tempo, quando éramos criança, acreditávamos em qualquer coisa. Papai Noel, coelhinho da Páscoa, bruxa do 71, velho do saco, gênio da lâmpada, entre outros. Assim, os pais, malandramente, evitando dar explicações, falavam que éramos trazidos pela cegonha.

Desse jeito, sempre ficava intrigado quando avistava um caminhão-cegonha. Tentava fazer analogias, ilações, imaginava o pássaro com um monte de filhote na “carcunda” ou no seu vasto papo.

Acontece que a infância passa, a adolescência chega, e os hormônios pedem atenção. O corpo muda, os desejos aparecem e, num breve espaço de tempo, aprendemos “a real” do negócio.

Na atualidade, não é fácil ser pai e mãe. Ter um filho, em um país como o nosso, requer planejamento e responsabilidade. E criar ele, então, nem se fala. Um filho, ou filha, é o fruto mais doce e nobre da árvore humana.

Por tudo que já passei nessa vida, posso dizer: me considero um abençoado. Tenho pais extraordinários que pautaram a nossa vida com base na educação e no trabalho honesto. Sou a semente germinada por dois batalhadores, filhos de imigrantes.

A mescla entre o sangue italiano e africano. Uma família grande, unida, e engraçada.

Infelizmente, não conheci meus avôs. Ambos faleceram antes da minha aparição no mundo. Meu avô, por parte de mãe, era um homem rural. Morreu de tétano, nos anos 50.

Ele cortava lenha e um pedaço de madeira acertou seu rosto. A partir disso, pela precariedade da época, a doença se agravou e ele não agüentou. Chamava-se Abrelino.

Na parte paterna, segundo relatos, meu avô era um exímio saxofonista, trompetista , além de ser um inventor nas horas vagas. Ele era um homem de criatividade nata e, mesmo sem conhecer, como inspiração, acho que bebi um pouco nessa fonte. Chamava-se Paulino.

Conheci apenas minhas avós. Duas mulheres espetaculares, diferentes. Uma morava aqui, em Porto Alegre, na Vasco da Gama, mas era natural de Criciúma, SC, e a outra viveu até os 80 anos no campo, entre Rosário e Alegrete.

Elas tinham muitas diferenças, porém, também, diversas coisas em comum. As duas prezavam a educação, a gentileza. Eram caridosas, faziam o bem para aqueles que as rodeavam.

Aprendi muitas coisas com elas, só observando. Entretanto, ainda era pequeno quando elas morreram. Lembro até hoje dos momentos em que ficamos sabendo da notícia.

Quando minha avó, por parte de pai, faleceu, eu tinha 8 ou 9 anos, aproximadamente. Estava em Bagé, RS, na sala da minha casa vendo os gols do Fantástico. Era um domingo e meu irmão estava no mingau, na danceteria da cidade.

Ao receber a notícia, por telefone, vi, pela primeira vez, meu pai chorar. O típico chefe, pai de família, sucumbiu, chorava como nunca pensei que pudesse, um dia, ver.

A minha avó chamava-se Francisca e era uma grande mulher, sempre com doces e balas para agradar os netos.

Já quando a outra avó, por parte de mãe, faleceu, estava no litoral norte, no CNPC (Capão Novo Praia Clube). Ela partiu, para um lugar melhor, em janeiro e yo tinha 12 ou 13 anos.

Naquele momento, divertia-me com a galera, no bingo promovido pelo clube. Uma época em que o bingo, 22, dois patinhos na lagoa, com cartela e feijões, significava divertimento.

Também era um domingo. Meu irmão foi me chamar e quando vi o carro da família observei minha mãe arrasada. Minha avó chamava-se Anália, “a vovó nalha”, para os pequenos..

Claro que essa é a moral da vida, mas ninguém está preparado para esse momento de perda.

Por ser criança ou, melhor, “aborrecente”, não havia vivido tudo que gostaria com as minhas avós. Não perguntei coisas que gostaria de saber, isto é, não aproveitei todos aqueles momentos.

Mas isso é normal, afinal, quando menores, não temos ciência desse ritual. A morte, para uma criança, tem um significado irrelevante.

No entanto, o tempo vai passando, vamos crescendo, e a visão sobre as coisas vai mudando.

Quando jovens, travávamos batalhas homéricas com nossos pais por coisas sem relevância alguma. A birra da adolescência contra o peso da experiência. Não os compreendíamos.

Agíamos como vítimas, injustiçados. Desse modo, em muitos casos, surgiram as brigas que perduram por anos.

Porém, quanto mais velhos ficamos, passamos a entender aquelas conversas, aqueles conselhos. Ao natural, vamos ficando parecidos com eles, com nossos pais. Ninguém é fruto de chocadeira.

Ao amadurecer, a relação com os pais melhora e passamos a exaltar as coisas boas, os momentos prazerosos. Evitamos as brigas, os conflitos. A lei da vida avança, com passos largos.

Assim, para não sofrermos arrependimentos futuros, estreitamos essa relação. A afinidade entre criação e criatura, seja relembrando histórias, situações, ou telefonando, demonstrando carinho, afeto.

O tempo passa rápido demais e não sabemos exatamente a hora certa de nada.

Afinal, essa é a lei da vida e, no cemitério, um dia, bem lá na frente, nós todos seremos visitados, em um feriado de finados. Então, aproveitem enquanto é vida. O tempo corre junto com os imprevistos.

E nunca é tarde para agradecer, reafirmar esse amor eterno.

Briguinhas e rusgas não levam a nada e, no fundo, o amor verdadeiro, incondicional, pra sempre, você só encontrará neles, onde tudo começou, sobretudo, a sua vida.

Família Musicalmente falando...

Abaixo, cinco vídeos que resumem melhor tudo que foi dito acima. Principalmente porque estão na arte, na música..

Iniciamos com ele, o sumidão...o cearense Belchior no clássico de sua autoria: “como nossos pais”, gravado na TV Diário, Fortaleza.

Ele que, hoje, deve estar desfrutando uma paella, tranquilaço, trançando seu bigode com o manuseio dos dedos da mão.

Que baita canção..é um dos hinos da mpb. Além dele, o criador, somente a Elis com envergadura moral para cantar essa música.

A música tem uma guitarra-sax, troço muito doido...coisas de Belchior..


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Seguindo, os cubanos do Orishas na música chamada “madre”. Baita rap raiz, do cotidiano e suas injustiças.

A letra relata a história de uma mãe que é maltratada pelo marido e, após ser abandonada, cria seus filhos no peito e na raça. Bela canção.



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Continuando, o inglês Cat Stevens em “father and son”, pai e filho. Música espetacular. O vídeo tem tradução em inglês e espanhol.




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Voltando ao Brasil varonil, o mestre baiano. Gilberto Gil em “Os pais” seu mais recente sucesso. A letra tem parceria com Jorge Mautner.



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E, para zarpar fora, os paulistas do Titãs em “família”, almoça junto todo dia, nunca perde essa mania.. Quem canta, em 1997, no cd acústico Titãs, é Nando Reis.

A canção ainda conta com a participação do produtor musical, e ex-baixista dos Mutantes, Liminha.


Caso você tenha sido contaminado pela emoção, ai ai ai ui ui....mas lembre que nós temos a chave que abre qualquer cadeado, principalmente aqueles que impedem uma aproximação.

E somos agentes de transformação, como diria Paulo Freire. Basta querer..

Um bom feriadaço e até terça.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Amassando o São Paulo..



Ontem, o Sport Club Internacional foi até o Morumbi, em São Paulo, para enfrentar o time da terra da garoa. Perdeu, 1a0. Mas, e daí? Obviamente que os três pontos não irão voltar, porém, jogou muito bola, o fino da bossa.

Como torcedor, fiquei triste com o resultado, todavia, satisfeito com a postura do colorado. O time jogou honrado à camiseta, sua origem, seu nome: Internacional. Jogou como se estivesse em casa, sempre com a iniciativa do jogo, de atacar.

Contudo, a única falha persistente do time, não concluir, acabou, mais uma vez, desperdiçando a chance de alcançar o topo da tabela. Caso comece a concluir, de fato, os gols sairão ao natural.

Agora, restam seis rodadas, 18 pontos para disputar. Com todo respeito digo que se ralem os fãs da calculadora. No futebol, a magia do imprevisto, tudo pode acontecer.

Por isso que é tão difícil ganhar na loteria esportiva, sem palpite duplo ou triplo.

Quanto ao jogo, com certeza, quem assistiu constatou que a bola redondinha retornou, isto é, o Inter jogou como futuro campeão, embora tenha perdido.

Um jogo onde o colorado teve, ao longo da partida, três atacantes e dois meio-campistas. O colorado ousado, invocado, determinado, guerreiro, afinal, isso é Inter, não é Grêmio.

Tenho convicção que, depois desse jogo, o gigante acordou com fome e, com apoio do torcedor, seja ele no estádio, rádio, TV, internet ou diabaquatro, as coisas vão rumar para o destino certo.

Quer dizer, o quarto campeonato Brasileiro da história, após 30 anos da ÚNICA conquista invicta e, para selar a rapadura das coincidências, no ano do centenário.

Além disso, tem festa com data marcada. Imaginem ver Ivete Sangalo, Zeca Pagodinho, Fafá de Belém, Monobloco, Nenhum de Nós e Ataque Colorado, mais defesa, meio de campo, treinador, dirigente, e, claro, o torcedor colorado, com a taça de campeão.

Uma festa com a faixa de Campeão Brasileiro 2009 no peito estufado e orgulhoso.

Ou seja, nunca antes na história deste país. Só depende do time. Para a torcida, com certeza, seria encerrar o ano com chave de platina e diamante..

Então, a partir de domingo, espero, o gigante vai rugir mais alto. Vai ficar lotado, mostrando para todos que, no Brasil, quem manda é o colorado.

OBS: Aos amigos gremistas e de outras agremiações, considere a filosofia Caetâ velosis. Isto é, tudo isso ou não.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Os Dois (parte VII)



O barzinho estava movimentado naquela noite e os garçons não davam conta de tanta gente. Eram muitos torcedores, afinal, havia jogo na TV através do “pago pra ver”. Poucas mesas, com alguns casais, complementavam o cenário daquele encontro.

Fora do bar, na calçada, os dois estavam prestes a se conhecer. A mesa que Alfredo escolhera estava longe do tumulto, afastada, propositalmente, com a intenção de ambos terem maior privacidade. Para ele, só interessava Isabela. O resto era apenas paisagem.

Quando Isabela finalmente chegou, Alfredo, em pé, estendeu a mão para cumprimentá-la. Ela retribuiu a cordialidade e, em seguida, fez uma brincadeira sobre a garrafa de água.

- O que? Bebendo água??

Duas palavras foram suficientes para o quebrar o gelo. Ela simplificava as coisas. Alfredo, sorrindo, respondeu que estava esperando sua chegada para pedir alguma coisa. Disse que não sabia se ela gostava de suco, chá ou vodka.

Rindo, Isabela convidou:

- Vamos tomar uma cerveja?

Alfredo concordou, pois estava quente. Chamou o garçom que, milagrosamente, estava por perto, com algumas garrafas na mão, um bloquinho de papel no bolso de seu jaleco preto, para anotar os pedidos, e uma caneta na orelha.

Pediu uma cerveja e dois copos. Após o pedido, começaram a conversar.

Alfredo agradeceu o livro, explicando sua finalidade, e prometeu devolver no próximo encontro, na aula. Isabela falou que o livro era escrito em espanhol, pois fazia parte de uma edição limitada. Contou que tinha comprado em um sebo perto dali.

A partir desse ponto, iniciaram um papo sobre sebos, literatura, filosofia, mitos, e, principalmente, o curso. Em cada resposta, surgiam novos assuntos, novas histórias, e os dois davam seqüência à conversa. Não existiam momentos de silêncio.

Aliás, a conversa só foi interrompida quando o garçom trouxe a garrafa de cerveja.

Isabela estava à vontade, falava bastante, sempre gesticulando, e tinha um senso de humor espetacular.

Era uma mulher inteligente e, obviamente, isso atenuava a graça. Alfredo, hipnotizado, sentia uma alegria que há tempos não vivia. O carisma e a beleza de Isabela eram um convite à tentação.

Ela contou que tinha nascido no interior e que morava na capital há pouco tempo. Buscava a vida em Porto Alegre com o objetivo de crescer profissionalmente. Afinal, na sua área, e dele também, comunicação social, as oportunidades estavam nos grandes centros urbanos.

Isabela era do signo de aquário, como fazia questão de alertar, e tinha 24 anos. Acreditava nas suas crenças, tinha seu próprio misticismo, uma mescla de várias filosofias.

Alfredo atentamente escutava tudo, porém, estava pouco se importando.

Não pensava em estudar o horóscopo, pelo contrário, queria somente desvendar os mistérios dela, não de uma categoria inteira.

Contudo, aparentemente, ele era só ouvido. Desse jeito, falaram sobre diversos assuntos, porém, não entraram em questões mais conflituosas.

Notava-se que os dois divergiam em alguns assuntos, mas, nada relevante, porque a vontade de conhecer sobrepunha-se a qualquer pormenor.

Assim como Isabela, Alfredo também vinha do interior. Eram regiões diferentes. Mas não tão longínquas.

Alfredo se apresentou para Isabela contando um pouco da sua história, resumidamente. Exaltou os pontos positivos e sonegou os negativos, como qualquer um faria no primeiro encontro. Ele tinha 26 anos e estava morando em Porto Alegre há 2 anos.

Entre um gole e outro, os copos iam rapidamente esvaziando. Na outra parte do bar, torcedores acompanhavam seus times na TV.

No entanto, na mesa de Alfredo e Isabela, não havia interferência e eles pareciam estar envoltos em uma bolha acústica, contra sons e ruídos.

Quando o relógio marcava 21h55min, eles resolveram pedir mais uma cerveja. O papo fluía naturalmente, agradavelmente. Isabela falava do seu trabalho, de suas histórias, do seu futuro. Alfredo escutava com muita atenção.

Ainda contou que seus pais eram separados e que morava em um apartamento próximo dali. Alfredo, atento nos mínimos detalhes, começou a achar que ela não tinha namorado. Todavia, não quis perguntar. Preferiu a dúvida momentânea..

Isabela seguia falando, se expressando. Disse que pensava em voltar para sua cidade natal, pois estava cansada do estresse e a correria da cidade grande.

Com a experiência que havia conquistado no trabalho, ela pretendia abrir um negócio próprio por lá.

Entretanto, na conversa, não cogitou essa hipótese definitiva.

Deixou claro que eram projeções. Tudo no plano dos pensamentos. Alfredo ouvia Isabela falar e interagia quando achava oportuno. Sentia-se feliz em vê-la feliz, sorrindo.

Ele não queria dar pitacos, fazer deduções, sobre a vida de uma pessoa que recém estava conhecendo. Apenas a deixava falar, desabafar. E sempre tentava ser engraçado, para descontrair o ambiente, e tirar um sorriso de Isabela.

A garrafa já estava quase no final e, para espichar o encontro, ele sugeriu uma porção de fritas. Perguntou:

- Vamos rachar umas fritas? Para baixar o álcool do sangue...Estou dirigindo...mas fica tranquila que depois te deixo em casa.

Estava ficando tarde e os dois tinham compromissos no outro dia. Simpática, alegre, talvez, por efeito do álcool, Isabela aceitou o pedido das fritas e a carona.

Alfredo, tentando descobrir novas informações, perguntou onde Isabela se divertia, em qual lugar costumava ir, Com quem? Quando? Onde? Como? e Por que?.

Ela citou vários lugares.

Disse que saía com amigas e gostava do bairro Cidade Baixa, os bares que contemplam as Ruas Lima e Silva, João Alfredo, o bar Opinião, entre outros.

Também mencionou a calçada da fama, a Goethe, os cinemas, e os teatros espalhados pela cidade, além, claro, da Redenção, do Parque Marinha e do Gasômetro.

Isabela era uma mulher culturalmente ativa, informada. Gostava do novo, gostava de pensar, de rir, de dançar.

Alfredo, meio ogro, notava que deveria se modernizar caso quisesse alguma coisa. Quando questionado sobre o mesmo assunto por ela, disse que gostava de estar ao lado de pessoas interessantes, além de viajar, conhecer lugares, culturas, cinema, futebol e cerveja.


As mini-fritas.


Portanto, o tempo foi passando rápido demais para a quantidade de papo. Parecia que ambos recém tinham sentado nas cadeiras da mesa. As fritas chegaram, em uma porção minúscula, se comparadas ao preço, e Isabela, ao ver, indagou o garçom:

- Nós pedimos uma porção inteira, não meia.


O garçom, constrangido, sorriu discretamente. Era uma quarta-feira, dia de jogo, de grande movimento e, por isso, as fritas estavam sendo racionalizadas.

Naqueles pequenos gestos, Alfredo via toda originalidade daquela menina. Uma mulher dona de si, independente.

Entre uma batatinha e outra, seguiram conversando. O assunto não cessava nunca, havia sempre um novo tema para ser debatido, contado. Nesse momento, Isabela relatou um episódio que vivera.

Uma noite de verão em que ela estava com algumas amigas no bar. Mencionou que, depois de pediram uma porção de fritas, elas encontraram um fio de cabelo no meio da batatada.

Isabela, relatando minuciosamente o fato, lembrou que tinha armado um levante para reclamar com o gerente.

Contava a história divertindo-se com a situação, com sorriso nos lábios. Tinha bom-humor e espírito de justiceira ou, quem sabe, inspetora do controle de qualidade.

Após detalhar o ocorrido, e todos os imprevistos, os dois riram. Estavam em um estágio de tamanha alegria que agiam com liberdade, como se, na rua, não houvesse ninguém, só eles.

Enquanto Isabela ria, Alfredo, solto, sem pensar muito, agiu por impulso e fez um elogio. Pelo menos tinha a intenção de ser gentil.

Falou para ela:

- Tu tem um sorriso alucinógeno..


Isabela, ainda rindo, sem entender, ou fazendo-se não entender, perguntou:


- Como assim?


E Alfredo retrucou:

- Pra te ver sorrindo eu seria um palhaço, caso tu fosse à platéia.



Alfredo perdera o controle. Todavia, gostava de brincar com as palavras, gostava de poesia e analogias.

Depois de escutar, tímida, Isabela sorriu e levemente baixou a cabeça, sem olhar nos olhos de Alfredo. Ele, rapidamente, mudou de assunto para não criar nenhum constrangimento. Puxou outra conversa.

Desse modo, iniciaram outro diálogo enquanto devoravam aquelas últimas batatinhas que restavam no prato.

Seguindo à noite, ainda falaram de música, assunto que os dois gostavam. Relembraram shows que foram e, paralelamente, histórias que permearam essas situações.

Já passava das 23h00min quando resolveram ir embora. Alfredo, abruptamente, levantou-se e disse que iria ao banheiro. Pediu que Isabela o esperasse. Na passada, foi até o caixa e pagou a conta. Aproveitou e, com o troco, comprou um bombom.

De relance, viu que seu time estava perdendo o jogo. Depois do primeiro encontro com Isabela, a notícia não o afetou em nada. Naquela altura, ele não estava nem aí para o futebol.

Então, voltou até a mesa e chamou Isabela:

- Vamos?



Isabela replicou:


- E a conta?


Alfredo disse que já tinha acertado e Isabela fez uma cara de surpresa,inconformada. Levantou-se dizendo que na próxima iria pagar. Embora não fosse uma feminista fervorosa, ela gostava de arcar com suas despesas.

Era essa sua filosofia, as diretrizes da sua independência.

Tentando amenizar, ele disse que isso era o mínimo que poderia fazer por uma noite tão agradável. Terminou o discurso oferecendo, como sobremesa, o bombom que comprara. Mais uma vez, ele conseguia arrancar um sorriso de Isabela.

Portanto, saíram lentamente em direção ao carro de Alfredo, estacionado há duas quadras dali.

Seguiram conversando, e ele já carregava o livro, de Adorno, em sua mão esquerda. Naquela noite, o tempo passou rápido demais. O senhor das horas sacramentava, mais uma vez, aquela velha máxima:

Tudo aquilo que é bom dura pouco, passa rápido demais, principalmente, quando estamos gostando.

Entretanto, a história dos dois estava apenas começando. Eles estavam sintonizados e teriam muitas horas pela frente..

Continua...

Ben Harper mente falando..

Iniciando a meiuca de semana com o som do aniversariante do dia: Ben Harper. O mais novo quarentão da praça musical.

Abaixo, ele e seu violão em “Sexual Healing”, ao vivo, música dos anos 80, de Marvin Gaye..



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Na sequência, um dos maiores homem-hits do nosso Brasil. Lulu Santos em “satisfação”. Lulu Santos que esses dias visitou o hospital para curar problemas gastrointestinais, ou seja, “froxou” o barrinho..

Felizmente, ele está bem e, em breve, cantará, ao vivo, sereia e como uma onda no mar. Melhor: pedirá que o público cante essa mesmíssima canção.



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Desembarcando na terra de los hermanos, o argentino Ariel Rot em “vícios caros”, bela balada de rock. Existe rock “calminho” e o vídeo abaixo é um baita exemplo disso..

Esse cara é um bom cantor de rock tradicional, aquela à moda Chuck Berryana, como preza também Fito y Fitipaldis..

Não é por nada que ambos gravaram uma música juntos..



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E finalizando a paçoca, o rei dos reis. O conquistador da tribo de Judá. Bob Marley em “Ambush in the night” , gravado ao vivo, em Santa Barbara, Califórnia, no clássico DVD de 1979.

No palco, os The Wailers Aston Barret, no baixo, e Earl Lindo, no piano.

Os mesmos que, no dia 20 de março, apresentaram-se em Porto Alegre, na Casa do Gaúcho.



OBS: Meus parabéns, público, ao grande Defensor dos fracos e oprimidos, o Defensor Público Igor Menine, vulgo meu irmão, que, assim como Bem Harper, completa mais uma primavera. Mais um ano antes da idade de cristo.

Aos amigos e amigas, uma boa quarta-feira. Arrente si fala sexta, com a bençã do meu padinho pade ciço.. e colorado 2a1 no São Paulo, só para relembrar a final da Libertadores de 2006.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Feliz dia da democracia


Foto do grande fotógrafo Tuca Vieira, no livro "As cidades do Brasil".

Ontem, domingo, 25 de outubro, foi o dia da democracia. Teoricamente, era para ser um dia de festa, comemorações. Ainda mais para quem já viveu uma ditadura.

Edson Gomes, cantor baiano, diria: “Democracia...aqui tu existe, mas, nunca saíste do papel..” Vivemos uma pseudo-democracia, onde os poderosos ditam as regras e os oprimidos obedecem.

Assim, paralelamente, para exemplificar, os jornais noticiaram, ontem, a morte da quadragésima quarta pessoa nos conflitos do Rio de Janeiro. Há o que comemorar?

Seres humanos matam, por nada, absolutamente nada, outros semelhantes, tirando vidas como se fora Deus. Na outra ponta da história, políticos desviam dinheiro público (na média de 44 milhões) e brincam com o povo, se achando mais que poderosos.

Para eles, não existe nenhuma sentença, muito menos riscos de morte.

A morte e a crueldade rondam os cidadãos normais, como eu, você, e todos aqueles que convivem em um contexto de abandono, desprezo, isto é, caos público.

Políticos vivem em condomínios fechados, prédios bem equipados, repletos de seguranças, isso quando não possuem escolta particular. Pra que tanta segurança? Eles não seriam benfeitores em cargos públicos?

No Rio de Janeiro, em uma semana, 44 pessoas morreram na guerra entre criminosos e policiais. Logo entre eles que, no fundo, são todos iguais, são seres humanos simples, com salários medíocres, tentando sobreviver à base do trabalho e com algum conforto. Seja lá como for.

Em Brasília, entretanto, o trabalho é meio turno, “nas coxa”, e o conforto é demasiadamente exposto na mídia, em vantagens indevidas, falcatruas, ou seja, crime também.

No conceito de criminosos, temos duas vertentes: o crime do rico e o crime do pobre.

O crime do rico é julgado pela alta corte do direito, o STF, que, até hoje, NUNCA condenou ninguém. O crime do pobre é sentenciado no ato, levando-os diretamente para o Presídio, superlotando o local e criando as oficinas do diabo.

Diante da bagunça institucionalizada, poderíamos recorrer à literatura. Caso tivessem que escolher, os criminosos pobres poderiam criar um conceito de Robin Wood brasileiro.

Quer dizer, ao se informar sobre os escândalos de corrupção, eles agiriam diretamente no foco, roubando do ladrão rico, aquele que, na verdade, é o responsável por tudo isso.

Ao desviar dinheiro público, na calada da noite, além de demonstrar covardia, o ladrão “granfino”, por tabela, acaba com um monte de possibilidades positivas.

Na guerra do Rio, 44 pessoas mortas em 7 dias, isto é, um média de 6 pessoas mortas diariamente, em confrontos, fora os outros homicídios, como o cara do Afroreggae.

Seres humanos são expostos, sem vida, em carrinhos de supermercado, como se fossem mercadorias. Na mesma guerra, policiais são mortos em helicópteros..

Na outra ponta, em Brasília, políticos exibem simpatia e se submetem a todos os pedidos de Sabrina Sato. Risonhos, bem seguros, não estão nem aí para o que ocorre lá fora.

Estão todos bem de vida, esbanjando status quo, babando diante da japonesa.

Enquanto isso, o povo agoniza em praça pública.

Agora, devemos comemorar a democracia? Já diria MV Bill: “ Pedir paz, sem justiça, é utopia”. E, sem justiça, não há democracia, completaria yo.

No mundo caótico, simpatizaria com o Robin Wood brasileiro, que roubaria daqueles que nos roubam há décadas.. Os mesmos que, até hoje, permanecem impunes, gozando de prestígio e vantagens no poder.

Diante disso, o povo só salci fufu...

Um dia o povo comum, honesto, irá se rebelar contra tudo isso...espero estar vivo para ver. Aí sim teríamos o dia da democracia.

E viva o Robin Wood brasileiro.

Mano Chaomente falando..

Para contextualizar o texto da democracia, a violência no Rio de Janeiro, na música, o franco-espanhol Manu Chao em “lágrimas de oro”. A letra da música é a realidade das vítimas da guerra urbana, o descaso político.

Que soem os tambores da rebelião.



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Abaixo, ela, que como Elis Regina, cantava com a alma. A inigualável norte-americana Janis Joplin em “to Love somebody”, ao vivo, em um programa de 1969, um ano antes de sua morte.

A música é do grupo inglês Bee Gees. Baita som.


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Misticamente falando, você acredita que viemos de Adão, ou coisas do tipo? Esse homem tem uma revelação bombástica.

Você não pensará mais da mesma forma depois que você assistir o vídeo do King Size, abaixo.


Contribuição do meu ilustre tio Mile, vulgo Almir, bioquímico, PhD em informática, campeão do Torneio intercontinental de Padel, só para atletas da grande Alegrete, e contador exímio de anedotas..

Ele é uma das vertentes do humor da família. O único pesar é a sua torcida pelo grêmio, ou seja, estará de cabeça inchada nos próximos dias..

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E, complementando o início da semana, uma homenagem ao maestro Andres D’ Alessandro através dos uruguaios da La Vela Puerca em “el huracán”, do disco De bichos y flores. Huracán é o Deus do furacão, na mitologia maia.

Exatamente o que foi D’Alessandro no clássico gaúcho, mais uma vez: o furacão colorado que venceu a muralha do goleiro gremista.



Boa segunda e início de labuta. Até quarta meus ilustres amigos e amigas desse Brasil varonil, criado à Tody.